Os pomposos e o mercado da espiritualidade (parte 2)

Muito me aborrecem nossos espiritualistas contemporâneos. Após a partida de Divaldo Franco¹, sinto que está em falta aquela fala mansa com aquele sorriso estampado no “mercado”. Pode parecer loucura minha, mas compartilho a seguir meu raciocínio.

¹ Cito aqui duas personalidades ligadas ao espiritismo kardecista pelo único motivo de terem se tornado figuras públicas de ampla exposição midiática, tornando-se, portanto, conhecidas por grande parcela da população lusófona. — Ah! E sim! Direto aqui mesmo para evitar que este “aviso” não seja lido caso deixado para o final do texto. E numerado, mesmo sendo o único, porque sou maluco.

Não é de fala mansa e sorriso estampado que se faz um bom espiritualista. É de credibilidade. E aquela fala mansa com sorriso estampado de forma consistente, ininterrupta e controlada demonstra um profundo autocontrole que se constrói a partir de um amplo autoconhecimento. Falar manso e expor um belo sorriso daqueles que parecem te dizer algo como “você não está sempre feliz porque é um otário” é fácil, mas mante-los ao enfrentar adversidades como algo ou alguém te reduzindo a descritibilidade de algo azedo, podre ou fétido devido a uma cabacisse própria é atitude que beira o limite do possível. Pode tentar!

Transcender a loucura dos patológicos jogos sociais, como Chico Xavier, doando-se completamente aos outros sem visar qualquer tipo de benefício próprio é algo ainda mais complexo e que tende ainda mais ao limite do possível se concretizado por um aparentemente simples “deixar ser” ou “permitir-se ser”, sem qualquer tipo de decisão filtrada pelos próprios interesses.

Esses podem ser chamados de espiritualistas. Todos os demais, nós, que não somos capazes de demonstrar esse elevado nível de desapego tanto ao material quanto ao egóico, estão em busca de algo. E a busca é fomentada pelo desejo, o que nos obriga a tais apegos. Somos, no limite do possível, meros aprendizes que ainda rastejam em busca de coisas que nem mesmo sabemos se existem, apenas presumimos ou concordamos com ideias de tais existências na tentativa de validar nossas próprias ações, algo profundamente material e egóico.

Ocasionalmente, mal aprendemos ou pensamos em algo e já queremos mostrar a todos o que sabemos, como faço agora com esse texto. Alguns querem vender o conhecimento, outros querem guarda-lo e lucrar com o segredo, outros compartilham apenas como forma de massagear o ego. Independetemente de quem somos, vivemos em busca de muitos algos. E para alcança-los ou obte-los, utilizamos de nossas aguçadas capacidades egocêntricas, pois no topo da lista dos algos está a sensação de superioridade.

Buscamos ascensões, mas não para os outros. Buscamos conhecimento, mas não para os outros. Buscamos fartura, mas não para os outros. Buscamos amor, mas não para os outros. Pois com tudo isso que buscamos, visamos nos beneficiar. E para podermos nos beneficiar de nossas “conquistas”, precisamos que estas sejam individualistas, portanto exclusivas. Assim, de certa forma, acreditamos que estamos “chegando lá”, seja lá onde ou o que for. Somos apenas pomposos desmedidos tentando provar algo para nós mesmos ou mais alguém para podermos gratificadamente massagear nossos egos.

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Quem?

Quem te deu um pedaço do planeta para tentar me vender? Quem disse que é teu e quem permite que seja meu? Quem disse que é bom vivermos isolados, protegidos por paredes? Quem determinou que possuirmos muros e lustres é objetivo de nossas vidas? Quem nos deu o direito de asfaltar a Natureza?

Quem te deu o direito de sujar a água que bebo? Quem disse que ela é tua e que pode vende-la? Quem determinou que a alface é um produto? Quem impôs que devo te dar algo em troca para comer e beber? Quem foi que resolveu que devo utilizar meu tempo de vida me matando?

Quem determinou que devemos sofrer em busca de felicidade? Quem parametrizou a felicidade? E quem foi que disse que serei feliz tentando ser igual a você?

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A visita do ET a Terra Plana

Se os ET’s invadirem a Terra e nos pegarem em nossas casas, como naquele filme, espero que quando chegar minha vez o encarregado da missão seja o Alf.

Um bêbado qualquer, após seu oitavo copo de gasolina azul.

Até pouco tempo atrás havia quem acreditava que, logo após a data limite, seres extraterrestres chegariam por aqui para resolver nossas próprias cagadas e nos presentear com tecnologias capazes de curar todas as doenças, acabar com a fome (bah… só o Itaú já poderia fazer isso), nos permitir maior desenvolvimento físico e mental etc.

Mas… sabe o que aconteceu? Aconteceu que a Terra é plana, tem uma cúpula de vidro blindado e para passar por ela precisa da autorização do Seu Zé, o porteiro da bagaça, que está com uma dor de barriga cósmica e não pode abrir a escotilha nesse momento.

Até teve um ET que conseguiu cavar um túnel por baixo da cúpula e entrar. O problema é que ele passou um rádio informando que estava exatamente no ponto mais ao Sul do planeta e até agora não encontraram o cara, já que isso quer dizer “qualquer lugar da borda”.

Ouvi dizer que cada estrela é, na verdade, um disco voador que se espatifou na cúpula e danificou a pintura, permitindo a passagem de um pouco de luz do paraíso. Também me disseram que as nuvens são os bafos dos anjos quando acordam e que é por isso que acontece a chuva ácida, pois, as vezes, como todo bom cabeludo, eles bebem muito e usam drogas. Dizem que as únicas coisas que eles fazem é tocar harpa e correr pelado no entorno da fonte da juventude.

Enquanto Seu Zé não libera a passagem dos manos, fiquei pensando: e se os caras chegam aqui no Brasil e dizem que somente falarão com um líder político que seja responsável? Fodeu!

Mas o maior perigo seria os ET’s acabarem ficando muito tempo por aqui e se acostumarem a estacionar disco voador em local proibido, falsificar documento para entrar na balada, comprar atestado para não trabalhar, fumar maconha na universidade e comer fast food.

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Algo nosso

Longe de ti o mundo é outro. Tudo é cinza, túneis são buracos e lindas obras de engenharia não passam de ruínas de uma sociedade nefasta e decadente. A Terra torna-se plana e nos impossibilita de dar voltas ao mundo, a Matemática torna-se estranha e incompreensível, a Sociologia se bagunça e a História se repete. As guerras nascem, as belezas morrem.

Longe de ti a vida é dura. As pessoas ficam sem o que dizer e se tornam incapazes de compreender, o trabalho não satisfaz e o lazer não traz suficiente agrado. Situações adversas tornam-se pesadelos, experiências se convertem em tempo perdido e atritos se transformam em parâmetros.

Longe de ti nada sabemos e somente estragamos tudo aquilo em que tocamos, somos apenas animais que lutam como forma de argumento, somos inúteis, perigosos e delinquentes.

Algo nosso está se distanciando.

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As guerras filhadaputânicas (alerta de linguajar inadequado)

As putas que me perdoem, mas é somente uma força de expressão que provavelmente vem da ideia de não ter tido um pai conhecido ou presente. Mas, com tanto filho da puta espalhado pelo mundo, talvez não ter um pai já tenha virado uma espécie de benefício, afinal, vai que ele também seja um daqueles que acreditam poder descontar o ódio em sua mãe ou em outras pessoas. Pior ainda seria um que te apresente a arte da filhadaputagem, com ensinamentos muito úteis a um verdadeiro filho da puta, como tentar obter vantagens em todas as situações em detrimento do bem estar ou direitos alheios.

Os filhos das putas estão em guerra! Mas isso não é um sinal de possível alívio futuro, afinal, quem luta nas batalhas de um filho da puta nunca é o próprio, pois ele não passa de um filho da puta… sobra para quem tenta não ser. E é aí que as coisas começam a ficar complicadas, pois, ao tentar se livrar de um filho da puta você se vê em meio a uma guerra… rodeado por personalidades quase idênticas e que se esforçam continuamente para que se tornem os mestres da filhadaputagem.

E eles se espalham… cada vez mais. Todo filho da puta parece ter a missão de aliciar aqueles que podemos chamar de fetos. Mas que não! Não são “fetos das putas”! Não vou continuar massacrando as mulheres da vida com a ideia de que seus filhos não prestam. São “fetos da sociedade filhadaputeada”, crianças que nascem e crescem sem conhecer outro modo de viver além da filhadaputagem aplicada que, enquanto ainda não são iniciados na arte, apenas conseguem sofrer tentando se enquadrar numa sociedade distópica, acatando ordens e exigências dos já iniciados.

Não existe mundo além de alguns metros do umbigo de um filho da puta. Então eles se multiplicam rapidamente para cobrir áreas maiores. Se você anda com um filho da puta, você certamente será filhadaputeado. Mas se você não anda, você ainda será filhadaputeado por tabela. Não há fuga! Eles estão por todos os lados! Mas talvez um filho da puta goste de você e te inicie na arte, assim você poderá viver feliz com a sensação de ser intocável, pois também terá se tornado um filho da puta.

Mas, como eu disse, eles estão em guerra. Porém, nada fora do previsto. É resultado da superpopulação de filhos das putas, uma massa crítica da filhadaputagem que inicia uma reação em cadeia toda vez que um filho da puta tenta filhadaputear outro filho da puta. Acontece com mais frequência ao passo que as guerras da filhadaputagem acabam filhadaputeando por tabela pessoas que estão apenas tentando viver suas vidas, mas que tambem precisam se tornar filhos das putas para que se defendam. E então surge o fenômeno dos filhos das putas auto-iniciados, talvez os mais perigosos, pois um filho da puta tentando sobreviver irá utilizar todos os métodos que a arte dos filhos das putas mestrados já descartou devido ao alto poder de gerar muita merda e pouco benefício próprio. Para piorar, nenhum filho da puta limpa a merda que faz… deixa tudo lá, fedendo… no máximo diz que não deu certo. Se feder demais, porém, o filho da puta deslocará a culpa para um terceiro que, caso não seja um semelhante e não dê uma resposta a altura esperada por um filho da puta, será filhadaputeado até que resolva se auto-iniciar para assim poder se defender e continuar o ciclo da ampla filhadaputagem.

Por outro lado, é, também, um jogo. O filho da puta bem desenvolvido é capaz de usar a própria merda amontoada para brincar de rei da montanha. E eles disputam. Todo bom filho da puta sabe produzir merda suficiente para ir cada vez mais alto. Muitos já chegaram a presidência.

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Insanossistema meritoapático

E chegamos ao final de mais um ano. É véspera de Natal, um feriado do qual até hoje muito duvido… por uma infinidade de motivos… mas é época de festa, as pessoas gostam e aproveitam para celebrar a união.

Sua ceia será muito boa, talvez das melhores, assim espero. Mas enquanto você estampa um “estrondoso” sorriso em seu rosto, estarei com lágrimas em meus olhos e um doloroso aperto no peito.

Neste exato instante em que você lê esse texto e outras pessoas discutem o tempero do peru, há muitos contando as moedas para comprar um frango da promoção, assim como o fizeram durante todo o ano.

Você acredita no sistema, você o alimenta e o sustenta, mas aqueles que batalharam para preparar esse mundo de abundância em que você vive estão em desespero e buscando motivos para dar um sorriso.

Você foi longe! Programou sistemas, ganhou belos percentuais em ações judiciais, vendeu carros ou abriu uma empresa que fará muito sucesso. Mas quem te ensinou tudo isso, quem te forneceu conhecimento para garantir o seu sucesso está aposentado, sem perspectiva e passando um sufoco financeiro que faria qualquer um de nós pensar no suicídio. Eles, um dia, também acreditaram no sistema.

E o que vem adiante os entope de medo. Pois, depois de tudo o que te deram, você quer acabar com eles ou então não dá a mínima para o fato de que nossos comportamentos sociais fazem parecer que é exatamente isso que queremos.

Mas você ainda acredita no sistema… sem perceber que o sistema te abusa, consome e depois simplesmente te descarta. O sistema tirou, com sucesso, a humanidade do humano. E agora o está quebrando.

A soma de todos os fatos aponta para um iminente colapso social, um sem precedentes. Se você não o percebe é porque já foi privado de seus instintos e percepções. Como dizem: é agora que a merda vai feder.

Sim! Somente se deixarmos! Exatamente o que temos feito cegamente durante anos… já deixamos. Agora pouco nos resta além de observar semelhantes em agonia e tentarmos nos salvar.

E não adianta verborragia de argumentos inoportunos. 10% de famintos não significa que o capitalismo funcionou para 90%. Se você carrega e apresenta esse argumento… sinto dizer, mas você é muito mais burro do que sua própria razão poderia lhe mostrar, pois para a suprema maioria desses 90% a vida se resume a trabalho, consumo e morte.

Se seus sonhos envolvem brinquedos tecnológicos, pagar por viagens, hospedagens ou as “mundanas” coisas do tipo que envolvem uma indébita apropriação de recursos naturais para dizer que é seu ou vender para alguém que também o queira dizer… você nada aprendeu!

Volto a repetir: a soma de todos os fatos aponta para um colapso social iminente em 2019 (e já cansei de falar nisso). Se este se concretizará em plenitude ou se será lentamente dosado é uma decisão que podemos tomar, mas o custo será o crescente sofrimento de todos aqueles que já foram descartados (ou nem mesmo aceitos) pelo sistema.

A síntese do próximo capítulo de nossa história ficou mais simples: ou quebramos o sistema ou ele termina de nos quebrar.

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Meu fiel companheiro

Há um sofrimento que permeia todas as camadas da minha realidade, que enrola seu tecido e dá nós, muitos nós, impedindo que se possa tentar dele fugir, impedindo que se possa ver um mundo onde ele não seja o maior de todos os sentimentos, onde não seja o único contínuo.

Merda! Essa é a palavra que define a vida, atitudes, pensamentos e decisões de um deprimido. E não adianta tentar fugir, pois até na tentativa está lá o pontecial para transformar tudo em merda aguardando para se apresentar com todo seu brilho, um brilho extremo, tão intenso que impede a percepção de outros potenciais. Merda é sempre o resultado.

E então o corpo falha. O deprimido não dorme para fugir, dorme porque corpo e alma não aguentam. Jamais fugiria para um lugar de maior sofrimento.

É… os sonhos de um deprimido também são cheios de merda, até muito mais que no mundo acordado. Basta fechar os olhos para que todo o sofrimento se amplifique. Sua própria mente, que sempre lutou contra você mesmo, agora tem toda a sua atenção.

Se já tive um sonho bom? Sim… talvez tenha sido o único, uma lembrança que me resta da infância. Mas, mesmo assim, acabava em merda. Nesse sonho eu podia voar. Era tudo o que eu precisava para finalmente fugir desse mundo, mas obviamente não dava. Voei por todo o mundo buscando um lugar onde eu pudesse não sofrer, mas não encontrei, pois o sofrimento está do lado de dentro. Não tendo encontrado esse lugar, resolvi fugir, voando para o espaço, mas havia um domo transparente no planeta, onde o céu era pintado, onde bati com muita força e comecei a cair de volta… não para a morte, que seria um alívio, mas para meu próprio corpo, naquele instante finalmente acordado e com a mente suficientemente desperta para do sonho lembrar e aumentar o sofrimento.

Mas vida segue. E a luta não acaba enquanto acaba com a mente. Um choro na noite, uma dor no peito, um sussurro do medo, de tudo e todos, te dizendo que é melhor se encolher e se esconder, uma vergonha aos olhares que sempre julgam. E ainda nem amanheceu.

Mas preciso ser forte, me mostrar forte, enganar aos outros mostrando que sou normal, que dou risadas e que entendo as piadas, que tenho objetivos e que sou capaz de algo. A morte é lenta e dolorosa. Talvez por isso tantos desistam. Mas sou espírita e isso complica tudo um pouco mais, pois tenho uma quase certeza de que o sofrimento permanecerá caso eu também desista. E… novamente… nem adianta tentar, pois o resultado é sempre o mesmo: merda. Pois até na própria morte vejo seu potencial.

De falha em falha, sigo falhando. Auto-flagelo, auto-sabotagem. Nem mesmo é possível tentar evitar. Para onde quer que eu vá, para onde quer que eu olhe, está lá meu fiel companheiro esperando para me abraçar.

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