Os pomposos e o mercado da espiritualidade (parte 2)

Muito me aborrecem nossos espiritualistas contemporâneos. Após a partida de Divaldo Franco¹, sinto que está em falta aquela fala mansa com aquele sorriso estampado no “mercado”. Pode parecer loucura minha, mas compartilho a seguir meu raciocínio.

¹ Cito aqui duas personalidades ligadas ao espiritismo kardecista pelo único motivo de terem se tornado figuras públicas de ampla exposição midiática, tornando-se, portanto, conhecidas por grande parcela da população lusófona. — Ah! E sim! Direto aqui mesmo para evitar que este “aviso” não seja lido caso deixado para o final do texto. E numerado, mesmo sendo o único, porque sou maluco.

Não é de fala mansa e sorriso estampado que se faz um bom espiritualista. É de credibilidade. E aquela fala mansa com sorriso estampado de forma consistente, ininterrupta e controlada demonstra um profundo autocontrole que se constrói a partir de um amplo autoconhecimento. Falar manso e expor um belo sorriso daqueles que parecem te dizer algo como “você não está sempre feliz porque é um otário” é fácil, mas mante-los ao enfrentar adversidades como algo ou alguém te reduzindo a descritibilidade de algo azedo, podre ou fétido devido a uma cabacisse própria é atitude que beira o limite do possível. Pode tentar!

Transcender a loucura dos patológicos jogos sociais, como Chico Xavier, doando-se completamente aos outros sem visar qualquer tipo de benefício próprio é algo ainda mais complexo e que tende ainda mais ao limite do possível se concretizado por um aparentemente simples “deixar ser” ou “permitir-se ser”, sem qualquer tipo de decisão filtrada pelos próprios interesses.

Esses podem ser chamados de espiritualistas. Todos os demais, nós, que não somos capazes de demonstrar esse elevado nível de desapego tanto ao material quanto ao egóico, estão em busca de algo. E a busca é fomentada pelo desejo, o que nos obriga a tais apegos. Somos, no limite do possível, meros aprendizes que ainda rastejam em busca de coisas que nem mesmo sabemos se existem, apenas presumimos ou concordamos com ideias de tais existências na tentativa de validar nossas próprias ações, algo profundamente material e egóico.

Ocasionalmente, mal aprendemos ou pensamos em algo e já queremos mostrar a todos o que sabemos, como faço agora com esse texto. Alguns querem vender o conhecimento, outros querem guarda-lo e lucrar com o segredo, outros compartilham apenas como forma de massagear o ego. Independetemente de quem somos, vivemos em busca de muitos algos. E para alcança-los ou obte-los, utilizamos de nossas aguçadas capacidades egocêntricas, pois no topo da lista dos algos está a sensação de superioridade.

Buscamos ascensões, mas não para os outros. Buscamos conhecimento, mas não para os outros. Buscamos fartura, mas não para os outros. Buscamos amor, mas não para os outros. Pois com tudo isso que buscamos, visamos nos beneficiar. E para podermos nos beneficiar de nossas “conquistas”, precisamos que estas sejam individualistas, portanto exclusivas. Assim, de certa forma, acreditamos que estamos “chegando lá”, seja lá onde ou o que for. Somos apenas pomposos desmedidos tentando provar algo para nós mesmos ou mais alguém para podermos gratificadamente massagear nossos egos.

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Quem?

Quem te deu um pedaço do planeta para tentar me vender? Quem disse que é teu e quem permite que seja meu? Quem disse que é bom vivermos isolados, protegidos por paredes? Quem determinou que possuirmos muros e lustres é objetivo de nossas vidas? Quem nos deu o direito de asfaltar a Natureza?

Quem te deu o direito de sujar a água que bebo? Quem disse que ela é tua e que pode vende-la? Quem determinou que a alface é um produto? Quem impôs que devo te dar algo em troca para comer e beber? Quem foi que resolveu que devo utilizar meu tempo de vida me matando?

Quem determinou que devemos sofrer em busca de felicidade? Quem parametrizou a felicidade? E quem foi que disse que serei feliz tentando ser igual a você?

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A visita do ET a Terra Plana

Se os ET’s invadirem a Terra e nos pegarem em nossas casas, como naquele filme, espero que quando chegar minha vez o encarregado da missão seja o Alf.

Um bêbado qualquer, após seu oitavo copo de gasolina azul.

Até pouco tempo atrás havia quem acreditava que, logo após a data limite, seres extraterrestres chegariam por aqui para resolver nossas próprias cagadas e nos presentear com tecnologias capazes de curar todas as doenças, acabar com a fome (bah… só o Itaú já poderia fazer isso), nos permitir maior desenvolvimento físico e mental etc.

Mas… sabe o que aconteceu? Aconteceu que a Terra é plana, tem uma cúpula de vidro blindado e para passar por ela precisa da autorização do Seu Zé, o porteiro da bagaça, que está com uma dor de barriga cósmica e não pode abrir a escotilha nesse momento.

Até teve um ET que conseguiu cavar um túnel por baixo da cúpula e entrar. O problema é que ele passou um rádio informando que estava exatamente no ponto mais ao Sul do planeta e até agora não encontraram o cara, já que isso quer dizer “qualquer lugar da borda”.

Ouvi dizer que cada estrela é, na verdade, um disco voador que se espatifou na cúpula e danificou a pintura, permitindo a passagem de um pouco de luz do paraíso. Também me disseram que as nuvens são os bafos dos anjos quando acordam e que é por isso que acontece a chuva ácida, pois, as vezes, como todo bom cabeludo, eles bebem muito e usam drogas. Dizem que as únicas coisas que eles fazem é tocar harpa e correr pelado no entorno da fonte da juventude.

Enquanto Seu Zé não libera a passagem dos manos, fiquei pensando: e se os caras chegam aqui no Brasil e dizem que somente falarão com um líder político que seja responsável? Fodeu!

Mas o maior perigo seria os ET’s acabarem ficando muito tempo por aqui e se acostumarem a estacionar disco voador em local proibido, falsificar documento para entrar na balada, comprar atestado para não trabalhar, fumar maconha na universidade e comer fast food.

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Algo nosso

Longe de ti o mundo é outro. Tudo é cinza, túneis são buracos e lindas obras de engenharia não passam de ruínas de uma sociedade nefasta e decadente. A Terra torna-se plana e nos impossibilita de dar voltas ao mundo, a Matemática torna-se estranha e incompreensível, a Sociologia se bagunça e a História se repete. As guerras nascem, as belezas morrem.

Longe de ti a vida é dura. As pessoas ficam sem o que dizer e se tornam incapazes de compreender, o trabalho não satisfaz e o lazer não traz suficiente agrado. Situações adversas tornam-se pesadelos, experiências se convertem em tempo perdido e atritos se transformam em parâmetros.

Longe de ti nada sabemos e somente estragamos tudo aquilo em que tocamos, somos apenas animais que lutam como forma de argumento, somos inúteis, perigosos e delinquentes.

Algo nosso está se distanciando.

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As guerras filhadaputânicas (alerta de linguajar inadequado)

As putas que me perdoem, mas é somente uma força de expressão que provavelmente vem da ideia de não ter tido um pai conhecido ou presente. Mas, com tanto filho da puta espalhado pelo mundo, talvez não ter um pai já tenha virado uma espécie de benefício, afinal, vai que ele também seja um daqueles que acreditam poder descontar o ódio em sua mãe ou em outras pessoas. Pior ainda seria um que te apresente a arte da filhadaputagem, com ensinamentos muito úteis a um verdadeiro filho da puta, como tentar obter vantagens em todas as situações em detrimento do bem estar ou direitos alheios.

Os filhos das putas estão em guerra! Mas isso não é um sinal de possível alívio futuro, afinal, quem luta nas batalhas de um filho da puta nunca é o próprio, pois ele não passa de um filho da puta… sobra para quem tenta não ser. E é aí que as coisas começam a ficar complicadas, pois, ao tentar se livrar de um filho da puta você se vê em meio a uma guerra… rodeado por personalidades quase idênticas e que se esforçam continuamente para que se tornem os mestres da filhadaputagem.

E eles se espalham… cada vez mais. Todo filho da puta parece ter a missão de aliciar aqueles que podemos chamar de fetos. Mas que não! Não são “fetos das putas”! Não vou continuar massacrando as mulheres da vida com a ideia de que seus filhos não prestam. São “fetos da sociedade filhadaputeada”, crianças que nascem e crescem sem conhecer outro modo de viver além da filhadaputagem aplicada que, enquanto ainda não são iniciados na arte, apenas conseguem sofrer tentando se enquadrar numa sociedade distópica, acatando ordens e exigências dos já iniciados.

Não existe mundo além de alguns metros do umbigo de um filho da puta. Então eles se multiplicam rapidamente para cobrir áreas maiores. Se você anda com um filho da puta, você certamente será filhadaputeado. Mas se você não anda, você ainda será filhadaputeado por tabela. Não há fuga! Eles estão por todos os lados! Mas talvez um filho da puta goste de você e te inicie na arte, assim você poderá viver feliz com a sensação de ser intocável, pois também terá se tornado um filho da puta.

Mas, como eu disse, eles estão em guerra. Porém, nada fora do previsto. É resultado da superpopulação de filhos das putas, uma massa crítica da filhadaputagem que inicia uma reação em cadeia toda vez que um filho da puta tenta filhadaputear outro filho da puta. Acontece com mais frequência ao passo que as guerras da filhadaputagem acabam filhadaputeando por tabela pessoas que estão apenas tentando viver suas vidas, mas que tambem precisam se tornar filhos das putas para que se defendam. E então surge o fenômeno dos filhos das putas auto-iniciados, talvez os mais perigosos, pois um filho da puta tentando sobreviver irá utilizar todos os métodos que a arte dos filhos das putas mestrados já descartou devido ao alto poder de gerar muita merda e pouco benefício próprio. Para piorar, nenhum filho da puta limpa a merda que faz… deixa tudo lá, fedendo… no máximo diz que não deu certo. Se feder demais, porém, o filho da puta deslocará a culpa para um terceiro que, caso não seja um semelhante e não dê uma resposta a altura esperada por um filho da puta, será filhadaputeado até que resolva se auto-iniciar para assim poder se defender e continuar o ciclo da ampla filhadaputagem.

Por outro lado, é, também, um jogo. O filho da puta bem desenvolvido é capaz de usar a própria merda amontoada para brincar de rei da montanha. E eles disputam. Todo bom filho da puta sabe produzir merda suficiente para ir cada vez mais alto. Muitos já chegaram a presidência.

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Insanossistema meritoapático

E chegamos ao final de mais um ano. É véspera de Natal, um feriado do qual até hoje muito duvido… por uma infinidade de motivos… mas é época de festa, as pessoas gostam e aproveitam para celebrar a união.

Sua ceia será muito boa, talvez das melhores, assim espero. Mas enquanto você estampa um “estrondoso” sorriso em seu rosto, estarei com lágrimas em meus olhos e um doloroso aperto no peito.

Neste exato instante em que você lê esse texto e outras pessoas discutem o tempero do peru, há muitos contando as moedas para comprar um frango da promoção, assim como o fizeram durante todo o ano.

Você acredita no sistema, você o alimenta e o sustenta, mas aqueles que batalharam para preparar esse mundo de abundância em que você vive estão em desespero e buscando motivos para dar um sorriso.

Você foi longe! Programou sistemas, ganhou belos percentuais em ações judiciais, vendeu carros ou abriu uma empresa que fará muito sucesso. Mas quem te ensinou tudo isso, quem te forneceu conhecimento para garantir o seu sucesso está aposentado, sem perspectiva e passando um sufoco financeiro que faria qualquer um de nós pensar no suicídio. Eles, um dia, também acreditaram no sistema.

E o que vem adiante os entope de medo. Pois, depois de tudo o que te deram, você quer acabar com eles ou então não dá a mínima para o fato de que nossos comportamentos sociais fazem parecer que é exatamente isso que queremos.

Mas você ainda acredita no sistema… sem perceber que o sistema te abusa, consome e depois simplesmente te descarta. O sistema tirou, com sucesso, a humanidade do humano. E agora o está quebrando.

A soma de todos os fatos aponta para um iminente colapso social, um sem precedentes. Se você não o percebe é porque já foi privado de seus instintos e percepções. Como dizem: é agora que a merda vai feder.

Sim! Somente se deixarmos! Exatamente o que temos feito cegamente durante anos… já deixamos. Agora pouco nos resta além de observar semelhantes em agonia e tentarmos nos salvar.

E não adianta verborragia de argumentos inoportunos. 10% de famintos não significa que o capitalismo funcionou para 90%. Se você carrega e apresenta esse argumento… sinto dizer, mas você é muito mais burro do que sua própria razão poderia lhe mostrar, pois para a suprema maioria desses 90% a vida se resume a trabalho, consumo e morte.

Se seus sonhos envolvem brinquedos tecnológicos, pagar por viagens, hospedagens ou as “mundanas” coisas do tipo que envolvem uma indébita apropriação de recursos naturais para dizer que é seu ou vender para alguém que também o queira dizer… você nada aprendeu!

Volto a repetir: a soma de todos os fatos aponta para um colapso social iminente em 2019 (e já cansei de falar nisso). Se este se concretizará em plenitude ou se será lentamente dosado é uma decisão que podemos tomar, mas o custo será o crescente sofrimento de todos aqueles que já foram descartados (ou nem mesmo aceitos) pelo sistema.

A síntese do próximo capítulo de nossa história ficou mais simples: ou quebramos o sistema ou ele termina de nos quebrar.

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Meu fiel companheiro

Há um sofrimento que permeia todas as camadas da minha realidade, que enrola seu tecido e dá nós, muitos nós, impedindo que se possa tentar dele fugir, impedindo que se possa ver um mundo onde ele não seja o maior de todos os sentimentos, onde não seja o único contínuo.

Merda! Essa é a palavra que define a vida, atitudes, pensamentos e decisões de um deprimido. E não adianta tentar fugir, pois até na tentativa está lá o pontecial para transformar tudo em merda aguardando para se apresentar com todo seu brilho, um brilho extremo, tão intenso que impede a percepção de outros potenciais. Merda é sempre o resultado.

E então o corpo falha. O deprimido não dorme para fugir, dorme porque corpo e alma não aguentam. Jamais fugiria para um lugar de maior sofrimento.

É… os sonhos de um deprimido também são cheios de merda, até muito mais que no mundo acordado. Basta fechar os olhos para que todo o sofrimento se amplifique. Sua própria mente, que sempre lutou contra você mesmo, agora tem toda a sua atenção.

Se já tive um sonho bom? Sim… talvez tenha sido o único, uma lembrança que me resta da infância. Mas, mesmo assim, acabava em merda. Nesse sonho eu podia voar. Era tudo o que eu precisava para finalmente fugir desse mundo, mas obviamente não dava. Voei por todo o mundo buscando um lugar onde eu pudesse não sofrer, mas não encontrei, pois o sofrimento está do lado de dentro. Não tendo encontrado esse lugar, resolvi fugir, voando para o espaço, mas havia um domo transparente no planeta, onde o céu era pintado, onde bati com muita força e comecei a cair de volta… não para a morte, que seria um alívio, mas para meu próprio corpo, naquele instante finalmente acordado e com a mente suficientemente desperta para do sonho lembrar e aumentar o sofrimento.

Mas vida segue. E a luta não acaba enquanto acaba com a mente. Um choro na noite, uma dor no peito, um sussurro do medo, de tudo e todos, te dizendo que é melhor se encolher e se esconder, uma vergonha aos olhares que sempre julgam. E ainda nem amanheceu.

Mas preciso ser forte, me mostrar forte, enganar aos outros mostrando que sou normal, que dou risadas e que entendo as piadas, que tenho objetivos e que sou capaz de algo. A morte é lenta e dolorosa. Talvez por isso tantos desistam. Mas sou espírita e isso complica tudo um pouco mais, pois tenho uma quase certeza de que o sofrimento permanecerá caso eu também desista. E… novamente… nem adianta tentar, pois o resultado é sempre o mesmo: merda. Pois até na própria morte vejo seu potencial.

De falha em falha, sigo falhando. Auto-flagelo, auto-sabotagem. Nem mesmo é possível tentar evitar. Para onde quer que eu vá, para onde quer que eu olhe, está lá meu fiel companheiro esperando para me abraçar.

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Jumentos e montadores

Vou tentar explicar para quem não entendeu: selecionamos nossos ídolos pelas qualidades que nos impressionam, por terem, serem ou representarem algo que desejamos. Essa seleção é empática, portanto amplamente dependente da (ou de distúrbios da) auto-imagem.

Dalai Lama é ídolo de humanistas e espiritualistas, Muhammad Ali de pugilistas e Kasparov de enxadristas. Quando pensamos em inteligência, vemos em Einstein, Copérnico, Tesla, Pascal ou Sócrates o exemplo. Quando pensamos em poder e influência, lembramos de Alexandre, Mao Tsé-Tung, Cleópatra ou Gengis Khan.

Quando escolhemos, como líder, um cientista, é porque temos a ciência como objetivo. Se escolhemos um esportista, estamos, muito provavelmente, pensando em saúde e boa forma.

Quem somos e o que pensamos quando escolhemos alguém que mente descaradamente, ignora as opiniões divergentes, foge de discussões, determina-se a resolver assuntos com violência (física ou verbal), toma decisões espalhafatosamente desastradas e infundadas e “volta atrás” da própria palavra?

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Os pomposos e o mercado da espiritualidade (parte 1)

Hummm… OK! Esse é um daqueles posts cheios de maluquice, revelações e resmungos que estavam entalados na garganta. E para que ele não te machuque, segue um breve guia de leitura:

  1. se você participa desse mercado da espiritualidade, vive comprando livros sobre o assunto, paga caro por cursos diversos, recorre ao Mestre Google quando busca respostas e/ou evolução espiritual… não o leia.

Pronto! Somente isso. Tendo finalizado a leitura do guia de leitura (sei… repetição… ficou estranho), vamos agora entender alguns porquês enquanto discorro sobre o assunto proposto no título.

O primeiro motivo de uma sucessão de erros é a busca pela evolução espiritual e este inicia-se pela inapropriada adoção do termo “evolução” e o que ele sugere. Evolução está relacionada ao tempo e somente se refere a conhecimento quando se trata de metonímia, portanto pode representar ambiguidade. Partindo-se de um ponto de referência a outro qualquer, determina-se uma evolução através de uma compreensão temporal. A evolução de um quadro clínico, por exemplo, pode descrever tanto uma piora quanto uma melhora. Podemos buscar desenvolvimento ou ascensão (termo também dúbio), mas evolução apenas se relacionará a uma progressão temporal.

Note que nesse mercado da espiritualidade, curiosamente, progressão, ascensão e evolução estão intimamente relacionados. Esse relacionamento, de meu ponto de vista, somente pode estar determinado por um (ou ambos) de dois motivos: o primeiro é o fato de que pessoas com pouco desenvolvimento espiritual tendem a gostar (e sentir prazer, muito prazer) com a ideia de que estão “mais evoluídas” que as demais; o segundo é que a exploração do primeiro motivo é uma maravilha econômica.

Recentemente passei a ter contato com a Umbanda, religião nascida devido a múltiplos preconceitos dos “espiritualmente evoluídos” (portadores de elevada pomposidade) de religiões e doutrinas amplamente divulgadas e aceitas… que vendem muitos… muitos… uma infinidade de aparatos como cursos, livros, “terapias” e a ilusão da “evolução espiritual”, todos estes contendo, geralmente, muita ladainha, já que são obras de pessoas que verdadeiramente nada possuem de desenvolvimento espiritual.

Estamos tão habituados a essa “autoimposição do fodismo” que vejo internet afora, curiosamente, umbandistas enfrentando preconceitos diversos de outros umbandistas de outras linhas da Umbanda. Assim como no Cristianismo (somente tomando como exemplo devido ao fato de ser o mais difundido em nossas terras), a Umbanda se divide em diversas linhas. E, assim como no Cristianismo, há o sincretismo arquetípico… santos para uns, orixás para outros. Novamente, estamos tão habituados a essa “autoimposição do fodismo” que não percebemos que todos estamos, na verdade, referenciando os mesmos arquétipos (como o guerreiro salvador ou o curandeiro).

O segundo (e provavelmente mais grotesco) motivo de uma sucessão de erros é a crença de que existem “patamares” ou “níveis” de desenvolvimento espiritual. Se não existissem tais níveis de desenvolvimento, como é que alguém poderia se sentir mais foda que outrem que também segue o mesmo caminho?

Aqui no Ocidente é muito comum, por exemplo, encontrar um “reikiano” (é… isso já está sumariamente errado) dizendo ser nível II ou III caso não esteja no nível I. O status parece ser mais importante que a compreensão dos ensinamentos. Mas, curiosamente, os praticantes de Reiki mais desenvolvidos que tive o prazer de conhecer jamais foram “iniciados” por um “mestre”, apenas se desenvolveram… e enfrentam os preconceitos daqueles chamados iniciados. Também não se afogaram num oceano de livros sobre Reiki e muitos somente descobriram que já o praticavam quando receberam uma explicação sobre o que é.

Nossa espiritualidade é alvo de um mercado que explora nossos anseios por conhecimento fácil e por uma vida “mais leve”, mas o fato é que tanto o despertar quanto o desenvolvimento espiritual guiados pela pomposidade alheia somente nos traz mais dúvidas travestidas de certezas e uma completa incapacidade de compreensão da vida e tudo e todos que nela estão presentes. Na “espiritualidade mercantil” dizer algo como “não sei quem sou, pois sei que essa dúvida já me transformou” denota tanto ilogicidade quanto “baixo nível” de “evolução espiritual” enquanto, na raiz do autoconhecimento, é o tipo de afirmação que nos provoca a buscar o verdadeiro autodesenvolvimento.

(… a ser continuado.)

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Azul

Mas estamos no vermelho…

Vivemos um problema para o qual somos a solução, mas não percebemos a totalidade do caos que determinamos em nossas vidas. Sendo seres sociais, jamais poderemos dizer que estamos bem enquanto convivermos com pessoas espiritualmente (ou mentalmente) adoecidas e que passam por necessidades não atendidas.

Muito se discute a respeito desse “problema”, mas raramente vejo ser citado o vértice dele todo. Talvez isso aconteça devido ao fato de que as palavras não sejam suficientemente contundentes. Ou talvez seja pelo simples fato de que nem mesmo observamos nossas próprias atitudes. Para trazer esse vértice à luz de nosso conhecimento, começarei explorando algo com um vértice comum: o Feminismo.

Devo ser sincero ao explicitar minha profunda repugnância ao termo Feminismo, que denota, por construção linguística, um estado temporário, uma ideologia ou, como geralmente é entendido, um movimento, quando é, em verdade, uma consciência (no sentido de conhecimento entendido) biológica, psicológica e cívica. Queremos tanto mudar o mundo que nem mesmo nos demos o trabalho de cunhar um nome adequado para uma das maiores consciências coletivas que temos crescendo em nossa sociedade.

O Feminismo é algo que simplesmente não deveria existir. Não é resultado de uma sociedade Machista, como se comenta. Tampouco resultado de uma prévia exclusão da Mulher do mercado. Tudo o que se entende por motivos ao Feminismo é resultado do mesmo problema: uma espécie de universalização do desrespeito. O Feminismo não surgiu simplesmente porque o Homem desrespeita (em amplo sentido) a Mulher, isso é uma visão limitada. O Feminismo surgiu pelo mesmo motivo que outras consciências (como a LGBT): jogamos o respeito no lixo.

Não! Os Homens não desrespeitam as mulheres! Os Homens desrespeitam tudo e todos! As Mulheres também! Tal afirmação é tão verdadeira que podemos observar o desrespeito em quase todas as atitudes cotidianas de quase todas as pessoas. Tem gente furando fila, “cortando” a fala alheia, empurrando por ter pressa, mentindo para não trabalhar, evitando ajudar os outros para não se cansar, desprezando os sentimentos alheios, “forçando” relacionamentos com benefícios unilaterais, gritando, cuspindo, xingando, batendo e apontando dedos. A maioria das pessoas simplesmente não pára para pensar que todo esse desrespeito tem efeitos negativos nas outras pessoas, é como se o benefício adquirido/conquistado explicasse o fracasso e a dor alheia.

É até comum ouvir alguém dizendo que os outros não conseguem porque não tentam. Mas pense no seguinte: como uma pessoa escapa com vida de um pelotão de fuzilamento?

O desrespeito generalizado também está enraizado… e tem motivo. Determinamos uma dinâmica social na qual precisamos “vencer”, transformando a sociedade num jogo de soma zero (para que um ganhe, outro precisa perder). E para tal feito abandonamos quase que por completamente nossa capacidade de empatizar. A “coisa” que nos permite construir as raízes de uma sociedade é a mesma que abandonamos para podermos lutar sem observar as feridas alheias, pois estas nos fariam parar a luta para pensar.

Sobrepusemos um jogo à nossa sociedade e nos fizemos acreditar que o jogo é a sociedade. Pense em alguém bem sucedido e você imediatamente se lembrará ou imaginará uma pessoa com posses e riqueza financeira. Mas me arrisco a dizer que não existe, no intervalo mais recente da História, pessoa tão bem sucedida quanto Dalai Lama.

Já parou para pensar nos abusos que cometemos e o quanto isso machuca as pessoas ao nosso redor? Já parou para pensar que outras pessoas, iludidas com o jogo, entenderão que um dos caminhos mais eficientes para a vitória está num padrão comportamental depredatório e o seguirão?

Já parou para pensar que a base do jogo é uma sociedade que não quer jogar?

O título faz referência ao nosso planeta (nossa casa, comumente chamado de planeta azul), à crença de determinadas linhas de estudos espiritualistas que acreditam que a energia humana é predominantemente representada pela cor azul e ao fato de que o azul já foi considerado uma cor social (teoricamente visível apenas para humanos, sem presença química na Natureza).
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