A visita do ET a Terra Plana

Se os ET’s invadirem a Terra e nos pegarem em nossas casas, como naquele filme, espero que quando chegar minha vez o encarregado da missão seja o Alf.

Um bêbado qualquer, após seu oitavo copo de gasolina azul.

Até pouco tempo atrás havia quem acreditava que, logo após a data limite, seres extraterrestres chegariam por aqui para resolver nossas próprias cagadas e nos presentear com tecnologias capazes de curar todas as doenças, acabar com a fome (bah… só o Itaú já poderia fazer isso), nos permitir maior desenvolvimento físico e mental etc.

Mas… sabe o que aconteceu? Aconteceu que a Terra é plana, tem uma cúpula de vidro blindado e para passar por ela precisa da autorização do Seu Zé, o porteiro da bagaça, que está com uma dor de barriga cósmica e não pode abrir a escotilha nesse momento.

Até teve um ET que conseguiu cavar um túnel por baixo da cúpula e entrar. O problema é que ele passou um rádio informando que estava exatamente no ponto mais ao Sul do planeta e até agora não encontraram o cara, já que isso quer dizer “qualquer lugar da borda”.

Ouvi dizer que cada estrela é, na verdade, um disco voador que se espatifou na cúpula e danificou a pintura, permitindo a passagem de um pouco de luz do paraíso. Também me disseram que as nuvens são os bafos dos anjos quando acordam e que é por isso que acontece a chuva ácida, pois, as vezes, como todo bom cabeludo, eles bebem muito e usam drogas. Dizem que as únicas coisas que eles fazem é tocar harpa e correr pelado no entorno da fonte da juventude.

Enquanto Seu Zé não libera a passagem dos manos, fiquei pensando: e se os caras chegam aqui no Brasil e dizem que somente falarão com um líder político que seja responsável? Fodeu!

Mas o maior perigo seria os ET’s acabarem ficando muito tempo por aqui e se acostumarem a estacionar disco voador em local proibido, falsificar documento para entrar na balada, comprar atestado para não trabalhar, fumar maconha na universidade e comer fast food.

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Algo nosso

Longe de ti o mundo é outro. Tudo é cinza, túneis são buracos e lindas obras de engenharia não passam de ruínas de uma sociedade nefasta e decadente. A Terra torna-se plana e nos impossibilita de dar voltas ao mundo, a Matemática torna-se estranha e incompreensível, a Sociologia se bagunça e a História se repete. As guerras nascem, as belezas morrem.

Longe de ti a vida é dura. As pessoas ficam sem o que dizer e se tornam incapazes de compreender, o trabalho não satisfaz e o lazer não traz suficiente agrado. Situações adversas tornam-se pesadelos, experiências se convertem em tempo perdido e atritos se transformam em parâmetros.

Longe de ti nada sabemos e somente estragamos tudo aquilo em que tocamos, somos apenas animais que lutam como forma de argumento, somos inúteis, perigosos e delinquentes.

Algo nosso está se distanciando.

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As guerras filhadaputânicas (alerta de linguajar inadequado)

As putas que me perdoem, mas é somente uma força de expressão que provavelmente vem da ideia de não ter tido um pai conhecido ou presente. Mas, com tanto filho da puta espalhado pelo mundo, talvez não ter um pai já tenha virado uma espécie de benefício, afinal, vai que ele também seja um daqueles que acreditam poder descontar o ódio em sua mãe ou em outras pessoas. Pior ainda seria um que te apresente a arte da filhadaputagem, com ensinamentos muito úteis a um verdadeiro filho da puta, como tentar obter vantagens em todas as situações em detrimento do bem estar ou direitos alheios.

Os filhos das putas estão em guerra! Mas isso não é um sinal de possível alívio futuro, afinal, quem luta nas batalhas de um filho da puta nunca é o próprio, pois ele não passa de um filho da puta… sobra para quem tenta não ser. E é aí que as coisas começam a ficar complicadas, pois, ao tentar se livrar de um filho da puta você se vê em meio a uma guerra… rodeado por personalidades quase idênticas e que se esforçam continuamente para que se tornem os mestres da filhadaputagem.

E eles se espalham… cada vez mais. Todo filho da puta parece ter a missão de aliciar aqueles que podemos chamar de fetos. Mas que não! Não são “fetos das putas”! Não vou continuar massacrando as mulheres da vida com a ideia de que seus filhos não prestam. São “fetos da sociedade filhadaputeada”, crianças que nascem e crescem sem conhecer outro modo de viver além da filhadaputagem aplicada que, enquanto ainda não são iniciados na arte, apenas conseguem sofrer tentando se enquadrar numa sociedade distópica, acatando ordens e exigências dos já iniciados.

Não existe mundo além de alguns metros do umbigo de um filho da puta. Então eles se multiplicam rapidamente para cobrir áreas maiores. Se você anda com um filho da puta, você certamente será filhadaputeado. Mas se você não anda, você ainda será filhadaputeado por tabela. Não há fuga! Eles estão por todos os lados! Mas talvez um filho da puta goste de você e te inicie na arte, assim você poderá viver feliz com a sensação de ser intocável, pois também terá se tornado um filho da puta.

Mas, como eu disse, eles estão em guerra. Porém, nada fora do previsto. É resultado da superpopulação de filhos das putas, uma massa crítica da filhadaputagem que inicia uma reação em cadeia toda vez que um filho da puta tenta filhadaputear outro filho da puta. Acontece com mais frequência ao passo que as guerras da filhadaputagem acabam filhadaputeando por tabela pessoas que estão apenas tentando viver suas vidas, mas que tambem precisam se tornar filhos das putas para que se defendam. E então surge o fenômeno dos filhos das putas auto-iniciados, talvez os mais perigosos, pois um filho da puta tentando sobreviver irá utilizar todos os métodos que a arte dos filhos das putas mestrados já descartou devido ao alto poder de gerar muita merda e pouco benefício próprio. Para piorar, nenhum filho da puta limpa a merda que faz… deixa tudo lá, fedendo… no máximo diz que não deu certo. Se feder demais, porém, o filho da puta deslocará a culpa para um terceiro que, caso não seja um semelhante e não dê uma resposta a altura esperada por um filho da puta, será filhadaputeado até que resolva se auto-iniciar para assim poder se defender e continuar o ciclo da ampla filhadaputagem.

Por outro lado, é, também, um jogo. O filho da puta bem desenvolvido é capaz de usar a própria merda amontoada para brincar de rei da montanha. E eles disputam. Todo bom filho da puta sabe produzir merda suficiente para ir cada vez mais alto. Muitos já chegaram a presidência.

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