Azul

Mas estamos no vermelho…

Vivemos um problema para o qual somos a solução, mas não percebemos a totalidade do caos que determinamos em nossas vidas. Sendo seres sociais, jamais poderemos dizer que estamos bem enquanto convivermos com pessoas espiritualmente (ou mentalmente) adoecidas e que passam por necessidades não atendidas.

Muito se discute a respeito desse “problema”, mas raramente vejo ser citado o vértice dele todo. Talvez isso aconteça devido ao fato de que as palavras não sejam suficientemente contundentes. Ou talvez seja pelo simples fato de que nem mesmo observamos nossas próprias atitudes. Para trazer esse vértice à luz de nosso conhecimento, começarei explorando algo com um vértice comum: o Feminismo.

Devo ser sincero ao explicitar minha profunda repugnância ao termo Feminismo, que denota, por construção linguística, um estado temporário, uma ideologia ou, como geralmente é entendido, um movimento, quando é, em verdade, uma consciência (no sentido de conhecimento entendido) biológica, psicológica e cívica. Queremos tanto mudar o mundo que nem mesmo nos demos o trabalho de cunhar um nome adequado para uma das maiores consciências coletivas que temos crescendo em nossa sociedade.

O Feminismo é algo que simplesmente não deveria existir. Não é resultado de uma sociedade Machista, como se comenta. Tampouco resultado de uma prévia exclusão da Mulher do mercado. Tudo o que se entende por motivos ao Feminismo é resultado do mesmo problema: uma espécie de universalização do desrespeito. O Feminismo não surgiu simplesmente porque o Homem desrespeita (em amplo sentido) a Mulher, isso é uma visão limitada. O Feminismo surgiu pelo mesmo motivo que outras consciências (como a LGBT): jogamos o respeito no lixo.

Não! Os Homens não desrespeitam as mulheres! Os Homens desrespeitam tudo e todos! As Mulheres também! Tal afirmação é tão verdadeira que podemos observar o desrespeito em quase todas as atitudes cotidianas de quase todas as pessoas. Tem gente furando fila, “cortando” a fala alheia, empurrando por ter pressa, mentindo para não trabalhar, evitando ajudar os outros para não se cansar, desprezando os sentimentos alheios, “forçando” relacionamentos com benefícios unilaterais, gritando, cuspindo, xingando, batendo e apontando dedos. A maioria das pessoas simplesmente não pára para pensar que todo esse desrespeito tem efeitos negativos nas outras pessoas, é como se o benefício adquirido/conquistado explicasse o fracasso e a dor alheia.

É até comum ouvir alguém dizendo que os outros não conseguem porque não tentam. Mas pense no seguinte: como uma pessoa escapa com vida de um pelotão de fuzilamento?

O desrespeito generalizado também está enraizado… e tem motivo. Determinamos uma dinâmica social na qual precisamos “vencer”, transformando a sociedade num jogo de soma zero (para que um ganhe, outro precisa perder). E para tal feito abandonamos quase que por completamente nossa capacidade de empatizar. A “coisa” que nos permite construir as raízes de uma sociedade é a mesma que abandonamos para podermos lutar sem observar as feridas alheias, pois estas nos fariam parar a luta para pensar.

Sobrepusemos um jogo à nossa sociedade e nos fizemos acreditar que o jogo é a sociedade. Pense em alguém bem sucedido e você imediatamente se lembrará ou imaginará uma pessoa com posses e riqueza financeira. Mas me arrisco a dizer que não existe, no intervalo mais recente da História, pessoa tão bem sucedida quanto Dalai Lama.

Já parou para pensar nos abusos que cometemos e o quanto isso machuca as pessoas ao nosso redor? Já parou para pensar que outras pessoas, iludidas com o jogo, entenderão que um dos caminhos mais eficientes para a vitória está num padrão comportamental depredatório e o seguirão?

Já parou para pensar que a base do jogo é uma sociedade que não quer jogar?

O título faz referência ao nosso planeta (nossa casa, comumente chamado de planeta azul), à crença de determinadas linhas de estudos espiritualistas que acreditam que a energia humana é predominantemente representada pela cor azul e ao fato de que o azul já foi considerado uma cor social (teoricamente visível apenas para humanos, sem presença química na Natureza).
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