E se elefantes voassem?

Manhã de quarta-feira. Stanislav, italiano arretado, acorda cedo com o barulho das gaivotas caçando patos, veste-se com sua túnica, se apressa para a garagem, verifica as ferraduras, monta em seu elefante, gira a chave e uma violenta corrente de ar que sai da traseira, provocando um barulho engraçado, impulsiona-os céu acima.

Lá em baixo, Durval, seu vizinho, toma uma tijolada. Acontece, sempre escapa algo. Mas Stanislav logo chega a padaria de Chong Loo, pousa no eleponto, dá uns filés de foca empanada a seu elefante e desce para a padaria.

Chong Loo, como sempre, está em estado quase catatônico de preocupação com os impostos. Não à toa, afinal mal dá para pagar os salários com cada pãozinho custando míseras três mil rúpias. Stanislav toma seu café e parte para o trabalho que conseguiu recentemente em uma plantação de maconha.

Por lá, Joaquim, seu elefante, faz sucesso. Eles abaixam suas orelhas para que não levante vôo, amarram suas patas com finos lenços de seda, para que não o machuque, giram a chave e ficam rindo abestalhados com o tiroteio de tijolos que alveja a plantação, que, aliás, é uma das que mais produz na Índia.

Durante seu expediente, Joaquim é alimentado com frango frito e jiló, suas guloseimas prediletas, enquanto Stanislav aquece suas marmitas cobrindo-as com as orelhas de Joaquim.

Após o dia de trabalho, afinal rachar o bico de elefante metralhando caca é demasiadamente cansativo e estressante, Stanislav vai para sua taverna favorita para tomar pinga com limão. Lá não tem eleponto, então Stanislav precisa manobrar seu elefante no estacionamento.

As vezes, acidentes acontecem. Certa vez, Bartolomeu, seu outro vizinho, esbarrou noutro elefante enquanto manobrava, fazendo com que todos eles caíssem um sobre os outros e o bar afundasse quase 8 centímetros. Foi uma explosão de pânico! Com o peso dos elefantes, uns sobre os outros, o estacionamento virou o epicentro de um terremoto provocado pela correria que começou. Os elefantes começaram a correr descontrolados pela cidade, deixando todos os elefantes em estado de euforia. E então eles resolveram voar, todos quase ao mesmo tempo. Caía uma chuva de elefantes enquanto se trombavam durante o vôo. A ordem somente pôde ser restaurada com a rápida ação do corpo de bombeiros que liberou uma nuvem de ratos voadores, forçando os elefantes a fugirem em desespero de volta para o conforto de suas garagens.

As vezes os elefantes também resolvem dormir. É comum alguém chegar atrasado ao trabalho quando seu elefante acaba comendo camomila demais no café da manhã. Mas todos entendem, com horários mais flexíveis todos vivem com bom humor, embora este geralmente vá embora quando é preciso levar um elefante ao mecânico. Com os preços extremamente altos dos órgãos de reposição, inclusive no mercado negro, por onde órgãos similares de outros animais são vendidos, está cada vez mais difícil manter um elefante.

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