Sobre quem somos (parte 1)

Viver em depressão já se tornou algo corriqueiro para mim e para muitas outras pessoas como eu. Grande parte disso se deve ao fato de que tenho muito a dizer mas que simplesmente não posso caso eu queira continuar pagando minhas contas e garantindo algum tipo de suporte a minha família. Mas me cansei e pretendo, agora, fazer um apanhado geral do mais básico que tenho a dizer e você, quem está lendo esse texto, provavelmente não vai querer entender, mas peço um esforço… afinal, bem sei que as informações a seguir são demasiadamente divergentes do que geralmente acreditamos saber.

Primeiramente, peço que deixe de lado tudo o que já aprendeu sobre quem somos, o mundo em que vivemos, nosso próprio universo e grande parte (se não quase tudo) sobre espiritualidade. Não deixe de lado, porém, a ciência, pois ela, especialmente a Mecânica Quântica, está bem próxima de começar a desvendar parte do que exponho aqui.

Começarei deixando pulgas atrás das orelhas.

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Uma ilha

Escrever aqui parece ter se tornado a única coisa que ainda consigo fazer. Posts são como mensagens em garrafas. Me sinto preso num poço, mas prefiro imaginar que é apenas uma ilha… no poço eu precisaria gritar, mas o som da minha própria voz já me incomoda.

Por mais que eu tente, não consigo falar com as pessoas. Não sei (não quero) explicar, apenas dói. Cada palavra que ouço é como uma flecha penetrando minha pele e cada olhar é o julgamento de um inquisidor.

Sou a mancha da foto mal tirada, o dedo na frente da lente, a pilha de lixo após a greve dos lixeiros, a mosca que se afoga na sopa… sou uma navalha enferrujada.

Quanto mais olho ao redor menos vejo.

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Lança-chamas (parte 1?)

Todo babaca tem sua síndrome de prioridade, todo babaca se acha o máximo… é o dono, o melhor ou foi o primeiro. E babacas… existem muitos.

Babacas unidos formam sociedades babacas. É como já dizia um sábio antigo espírito da Terra: lá, depois da floresta, onde existem as cidades de pedra, existe um lugar chamado metrópole, onde os habitantes das pedras vivem correndo em busca de algo que jamais encontram enquanto se submetem a miseráveis vidas repletas de meras ilusões.

Banalizam tudo de mais lindo que já criamos. Pegaram nossas músicas e transformaram em algoritmos repetitivos que infectam as mentes de outros babacas. Fizeram da cura um produto de mercado e para aqueles que não podem compra-la inventaram a promessa de cura, que também custa caro. Parametrizaram a arte e reduziram todas nossas diferenças a meros padrões de personalidade.

Babacas estão sempre por cima… são os auto-proclamados guardiões da racionalidade… portanto sempre estarão. Não há aprendizado por inexistir qualquer esforço ao entendimento, babacas se masturbam pelo poder. Também não se tira qualquer proveito de uma discussão, instrução ou explicação, pois se desperdiça argumento onde não existe compreensão.

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É difícil

Pânico! Pânico e desespero. Uma forma de tristeza que somente entende quem conhece me percorre. Já nem mesmo tenho aquela vontade de chorar, já me tornei o próprio choro.

É difícil e poucos sabem. É difícil e a maioria nem vê. Acordar é a vitória de uma luta que começou antes mesmo de dormir e sair de casa é um ato de heroísmo displicente. É difícil viver numa sociedade decadente sem se tornar mais um inútil doente.

É normal buscar um fim, mas nunca acaba. Meu cérebro está podre e minha alma está perdida, completamente protegida da alegria que nos cerca e que não vejo. É normal buscar um fim, mas queria apenas não ter sido eu mesmo… pois não é a vida que incomoda, é a dor que não dá sossego. É o vazio do abraço, o sentimento que inexiste no beijo.

Mas não há, como dizem, um vazio por dentro. Tal vazio seria acolhedor. O que está lá é nada além de sofrimento, em lento movimento para que nunca se acabe.

Ninguém sabe, ninguém vê. Mas de um dia para o outro apenas me arrasto.

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Entropia

Sinto-me, agora, num estado de suspensão da objetividade. É como estar semiconsciente, pseudo-vivo, amplamente desconectado da realidade exterior e quase ausente nesse mundo físico.

Também me sinto preso numa casca que não é minha, um corpo emprestado, talvez até abandonado. Sinto-me maior que meu próprio corpo, como se o espírito expandisse, mas muito menor que minha ideia de mim mesmo. Sinto que estou perdido na espiral do tempo, análoga a um ralo por onde tudo escoa enquanto se mistura… um passado que não volta e não mais importa dando lugar a um futuro inexistente.

Somente encontro sentido na ideia de que nada mais faz sentido enquanto observo um mundo que mais parece uma fotografia, uma viagem de uma mente presa noutro lugar que mergulha num mundo imaginário para que possa ter um sonho de liberdade. Sinto que quando acordar estarei vazio e nem mesmo poderei observar os sonhos que se misturam enquanto se esvaem por essa espiral.

Não quero reviver o passado e nem gosto de ver o incerto que se posta adiante, quero apenas aceitar que o presente é verdadeiro e seguir em frente. Mas não posso, pois o que sinto, ouço e vejo me mostra que estamos em lugares diferentes.

Gostaria de citar Euclides, Riemann e Minkowski, mas essa Matemática talvez só confunda nossas cabeças. Afinal, qual é o sentido de explorar o imaginário se nem ao menos conhecemos a origem de tal? Essa busca apenas nos aliena, pois, quanto mais procuramos, mais imaginamos, e, portanto, mais evidências de que estamos corretos encontramos. Assim, nos encontramos cada vez mais presos a toda essa ilusão enquanto nossos verdadeiros “eus” se tornam monstruosos geradores de entropia. Quanto mais entropia existir mais consciência resultará para que continuemos concordando com as nuances do mundo que criamos.

Logo, vejo que a consciência é uma prisão que nos protege de nós mesmos e com a qual parametrizamos o desconhecido como mera entropia. Não podemos ter acesso ao que está além de nossa própria consciência pois decidimos concordar, como uma única consciência maior, que nada existe além do que conhecemos ou mutuamente imaginamos.

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Super Valorudo

Com sua capa roxa, calças verdes, camiseta amarela, aquela famosa sunga por cima das calças, só que laranja e com listras pretas, máscara branca de fantasma com orelhas de gatinho e bico de pato e sua temível arma (a verborragia), Super Valorudo sai as ruas pelas madrugadas quentes do verão para chocar os inimigos com suas palavras malditas, dicção equivalente a de um babuíno tentando relinchar e ideias desconexas.

De super nada tem. Nem mesmo lembra algum herói, apesar de toda sua alegórica vestimenta. Salvar alguém também não está em seus planos. O importante é apenas espelhar-se na ficção, dando um sádico toque de personalidade para que seja prontamente reconhecido e admirado. Embora o parâmetro seja, inicialmente, a obtenção de resultados contrários aos esperados, Super Valorudo possui uma auto-imagem inabalável e consegue manter-se em sua bolha sem que seja prejudicado pela dúbia necessidade de avaliar os feedbacks que constantemente surgem.

É um verdadeiro imbecil, mas plenamente feliz enquanto tenta provar a todos ao seu redor que pode atingir níveis de podridão mental jamais esperados para um único humano, objetivo comumente alcançado aplicando-se as mais idiotas formas de demonstração da própria estupidez.

Formado numa famosa universidade, daquelas que possuem mais de 10 campi e evitou a especialização em determinado campo, pois o comércio de títulos é muito mais rentável que o idiossincrático esforço de educar e prover conhecimento, Super Valorudo agora é aluno de doutorado e poderá, finalmente, abrir a caixa séptica de sua mente e imprimir permanentemente toda sua estupidez na sociedade.

Profundo conhecedor de Química, Medicina, Física Quântica, Matemática, História, Geografia, Linguística, Psicologia, Agronomia, Cosmologia, Tarologia, Física de Partículas, Eletrônica, Programação, Marketing, Contabilidade, Engenharia Aeroespacial e muitos outros assuntos, Super Valorudo sente-se profundamente valorizado com suas publicações nas redes sociais quando estas recebem milhares, quando não são milhões, de curtidas de seus discípulos obtidos por sua notável eloquência e capacidade analítica acerca de todo e qualquer fato que vire notícia.

Suas legiões de seguidores anencéfalos o aclamam publicamente enquanto se multiplicam em progressão geométrica e de forma ininterrupta, propagando com espantosa fidelidade todos seus peculiares filosofismos oriundos de uma espécie de displasia conscientológica.

Mas não é somente da publicade que é feito um verdadeiro herói. Super Valorudo possui objetivos muito bem planejados para que se mantenha um mundo muito mais prazeroso de se viver, onde mudanças não ocorrem para que sejam evitados conflitos ideológicos e não sejamos obrigados a constantes adaptações. Em breve, trocará sua alegórica fantasia por uma farda padronizada cinza, azul escuro ou preta, fabricada especialmente para que sinta-se pertencente a um seleto grupo de pessoas concisas e incrivelmente competentes. Super Valorudo será presidente.

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