Poder, comida e saúde

Conhece o Djalma? Aquele que come cocô e bate palma?

Pois bem… se Djalma parece um coprófago alucinado, então você precisa saber direito o que temos feito para que não sejamos como ele: exatamente NADA! Como de costume, estamos sendo bombardeados por desinformações que nós mesmos pedimos através de audiência.

A mídia pira e aproveita para nos fornecer as dietas mais ilógicas possíveis, sustentadas por especialistas [sic] em diversas áreas da saúde e que, geralmente, oferecem resultados milagrosos. Embora o bom senso aqui também caiba, o abandonamos por completo para experimentar dietas que são excelentes simplesmente porque nos disseram que são.

Lembra do glúten? Mesmo após pipocarem nos cinco continentes diversos estudos (sim… pluralzão grandão) apontando ao erro cometido em um único estudo (sim… singularzão secão) que endeusava o glúten como o maior vilão do milênio, continuamos a tratá-lo como algo que nos matará se for ingerido no café da manhã de forma completamente irracional, tomados por uma certeza que nos é oferecida por especialistas [sic] em jornais, revistas, blogs e comoventes programas de TV que mostram os benefícios [sic] de eliminar o glúten da alimentação. Pois bem… você sabe o que é glúten?

Não sendo suficiente uma única ilusão dietética para nos alegrar com benefícios ilógicos, agora estamos, aparentemente mais do que nunca, dado o imenso poder de proliferação de informações exatas ou não das redes sociais, sujeitos a uma nova moda de “trocar” determinados alimentos por outros que especialistas [sic] dizem ser mais saudáveis.

Você come bovinos? Ah! Então troque por suínos, assim você terá aminoácidos suficientes para suar óleo usado de pastelaria!

Essa não é um informação nova. Nãos comemos porquinhos em excesso porque acaba com nossas peles, prejudica a cicatrização ao elevar demasiadamente a produção de colágeno levando a uma supercicatrização (queloide), eleva os níveis de ureia no suor, submete nossos aparelhos digestivos a maus tratos e “empapa” o sangue devido a gordura. Sempre soubemos disso… nossos avós já nos contavam, enfurecidos, quando seus médicos os impediam de comer porquinho devido a qualquer tratamento pelo qual estivessem passando, mas preferimos acreditar cegamente na opinião da apresentadora de um programa de bem estar que passa no meio da manhã ou naquele programa cheio de ensinamentos científicos [sic] que passa no final do domingo.

Ah! Mas a gordura do porco é mais saudável!

Espera! Quem te disse isso? Quem foi que te mandou comer gordura animal? Espero que isso não tenha algo a ver com aquela história de que a manteiga (feita de gordura animal) é mais saudável que a margarina (feita de gordura vegetal). Embora estudos apontem para esse fato, gordura (de qualquer tipo) é algo que devemos simplesmente evitar, especialmente quando esta vem enlatada ou numa bela embalagem com dizeres como “mais saudável”. Isso, sim, é algo que não se come.

O problema que discuto aqui não se limita aos componentes químicos presentes em alimentos, discuto nossa tendência a acreditar em opiniões reforçadas pelo termo “especialista” e o abuso pela mídia e pelo mercado desse viés tenebroso, pelo qual chegamos a descartar conhecimentos que já possuímos para adotarmos a opinião de alguém que é apresentado como especialista. Não questionamos nem mesmo os motivos pelos quais tais informações são apresentadas e proliferadas, pois não nos alimentamos de informações em suas fontes.

Não consumir informações em suas origens nos leva a aceitar absurdos como, por exemplo, as famosas dietas detox que prometem eliminar as toxinas de nossos organismos através da ingestão de produtos alucinantemente carregados exatamente de toxinas, especialmente agrotóxicos. Não quer dizer que sejamos estúpidos, afinal, desde cedo, na escolinha, aprendemos o básico sobre o funcionamento de nossos corpos e sua capacidade de eliminar toxinas utilizando apenas a água como solução para diluí-las.

Um fato importante que desconsideramos é o de que tudo o que comemos, de origem industrial ou não, tem toxinas. Vivemos no mundo da alta produtividade e do consumismo desenfreado, o mercado é quem manda e por isso acabamos sujeitos a ingestão de compostos químicos desenvolvidos especialmente para sustentar lucros exorbitantes de grandes corporações. Mas tudo é muito bem planejado, afinal, além das corporações que nos intoxicam, temos as grandes corporações que nos medicam.

Até a água que bebemos é acrescida de fluoreto de sódio, que danifica nosso tecido cerebral e se acumula na epífise neural (ou glândula pineal), prejudicando nossos ciclos circadianos e até mesmo nossa sexualidade. E nem discuto aqui os efeitos sobre empatia e capacidades de racionalização, decisão e ação, pois estes ainda estão sendo devidamente estudados. Mas, para tudo isso temos milagrosos remédios.

Estamos deixando que mídia e mercado, ambos tendenciosos ao lucro, por motivos mais do que óbvios, façam o que bem quiserem com nossos corpos e mentes, selecionem nossos conhecimentos, decidam nossas ações e definam nossa história enquanto suas reais funções deveriam se limitar a nos informar, entreter e fornecer insumos e serviços.

A verdadeira dieta que precisamos é a de informação.

Padrão