Uma verdade sobre a vida

Vejo que a vida, especialmente durante o “agora”, é tão ignorada e mal compreendida quanto abundante e que seu conceito é constantemente adaptado ou transformado para que caiba na verdade que estiver sendo explorada, normalmente para meros fins de autoafirmação ou tentativa de imposição de uma qualquer verdade pessoal.

É! Pessoal!

Observe que a própria palavra verdade, quando citada, geralmente carece de uma devida explicação. Precisamos estabelecer um parâmetro antes de confundirmos, como de costume, as possíveis significações de uma mesma palavra. Verdade pode ser tanto subjetiva quanto objetiva.

Chamo de subjetiva aquela verdade com a qual estamos mais acostumados: a nossa verdade. Se me julgo inteligente, então, é verdade que sou, baseando-me em meus próprios critérios de julgamento. É, para mim, verdade que uma pessoa verbalmente agredida se sinta humilhada, pois acredito que agressões verbais sejam humilhantes e projeto meu provável sentimento a outrem. Veja como a empatia também exerce grande poder sobre a verdade subjetiva, que se torna nossa conforme sofre alterações oriundas de interações sociais para que seja adequada a um “meio termo” razoável para um determinado grupo.

Já a verdade objetiva apenas é. Um motorista dormiu ao volante e bateu num poste. O cansaço do motorista, com fato exposto de forma tão simples, é uma verdade subjetiva e não altera o fato, ao qual pertence uma verdade objetiva. São verdades objetivas a presença de um poste, a existência e a avaria de um carro, o motorista que dormiu ao volante e um acidente de trânsito pois são fatos, e, portanto, inalteráveis. O acidente independe de meus conceitos.

Voltando ao assunto, então, a verdade sobre a vida da qual falo é objetiva. Não é algo da minha cabeça que tentarei embutir na tua e não depende de argumentos subjetivos, é simplesmente algo que, talvez, você tenha ignorado até agora: tudo está vivo. Sim! Tudo!

Segundo a etimologia, vida vem de vita, que, em Latim, significa existência. Em essência, a simples existência significa vida, mas nossos conceitos (sim, no plural) são muito mais amplos e subjetivos do que isso. Na tentativa de se determinar um limite entre a simples existência e uma mais complexa, para a qual utilizamos a palavra vida, cunhamos, ao longo do tempo, uma infinidade de definições na tentativa de parametrizar nossa própria compreensão sobre o assunto. Todas definições, porém, conforme se ampliam e recebem maiores elucidações tendem a apontar na mesma direção, deixando a entender que tudo aquilo que se transforma ao longo do tempo está vivo.

Talvez, acredito, a definição mais complexa para se fazer essa ponte seja a biológica, pela qual entende-se que a vida está presente em organismos capazes de sustentar animação através da síntese ou processamento de alimento. Mas, mesmo com essa definição, podemos levantar questões como o fato de buracos negros (para os quais não fazemos relação com a palavra vida) se enquadrarem nessa definição, na mesma em que poderíamos “encaixar” os próprios átomos que se mantêm em estado de animação sustentados pelos seus próprios diferenciais elétricos (sim… expus de forma preguiçosa). Embora ambos exemplos não se enquadrem no conceito de organismos, se comportam como tais sob o próprio ponto de vista que os exclui, e, portanto, pela própria lógica, devem ser considerados vivos.

Outra definição, pessoalmente preferida, incorpora a ideia de que tudo aquilo que se transforma ao longo do tempo está vivo. Sob tal ponto de vista, nossas próprias ideias estão vivas… nossas próprias memórias, o que faz com que de certa forma o próprio passado (considerando o erro de tempo linear) esteja vivo, pois, mesmo que subjetivamente, este continua em transformação. Com essa definição podemos obter um conceito paraconsistente que permite tanto maior objetividade quanto subjetividade, mas não menos válido em amplitude que o anterior, já que ambos encontram um ponto em comum – o autossustento gera transformação do próprio “organismo”, algo sustentado (em base) pela própria Termodinâmica – e se ampliam ao passo que o “organismo” promove transformação, portanto atribuindo vida, ao próprio meio em que se encontra.

Observe a amplitude que o conceito de vida adquire ao considerarmos apenas dois conceitos básicos. E observe que, mesmo que ambos pareçam completamente distantes entre si, ambos passam a se validar e a se complementar, nos levando a um fato que ignoramos como forma de um ritual diário em nossas vidas: tudo está vivo porque tudo “provoca” vida.

Veja: a vida depende de sustentação e síntese/processamento de alimento – algo que já ocorre em nível atômico e até mesmo subatômico, embora eu não tenha explorado esse aspecto – e transformação. Numa observação mais prática, é impossível eu me sustentar, transformando alimento em energia, sem provocar transformações no meio em que vivo. E transformar o meio é atribuir vida (sob o ponto de vista deste conceito) a ele. Esses conceitos ainda se conectam mais profundamente quando observamos que estamos atribuindo vida ao que já está vivo e que há, ainda e portanto, reciprocidade em tudo.

Desta forma, nos baseando em apenas duas definições básicas, já podemos chegar a uma verdade objetiva sobre a vida: a de que tudo tem vida e que a estamos compartilhando com todos e tudo ao nosso redor.

Padrão

Um comentário sobre “Uma verdade sobre a vida

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s