Melodia

Há uma melodia que, recorrente em muitas vidas, ecoa por minhas diversas realidades. Algo capaz de me conduzir a instantes de profunda conexão com meu verdadeiro eu, minha essência ou, como dizem, meu “eu interior”. Quando lá estou, inexistem o tempo, o mundo físico e tudo o que deles decorre. Não há pressa, não há dor, nem tristeza, frio ou calor. Não existem as preocupações cotidianas e em meio ao caos há somente paz e amor. De lá posso observar minhas vidas e entender como elas se cruzam, como acontecem e o que, em todas elas, me motiva. Tudo de dentro de uma simples melodia que, de alguma forma, parece nascer de dentro de mim.

Há uma melodia que não tem fim e que aquieta tanto o corpo quanto a alma, uma melodia que me transforma e me faz transcender a fisicalidade que me aprisiona a arquétipos e desejos com os quais nem mesmo concordo. Uma melodia que me saúda dando boas vindas ao vazio, único lugar onde, paradoxalmente, parece existir a completude, já que é de lá que tudo surge… é a partir de lá que todos nascem, renascem e se transformam.

O princípio da existência é a própria inexistência. Quando estamos em profunda conexão com a origem percebemos que tudo, por possuir o mesmo princípio, está em perfeita comunhão. Existe o caos, mas inexiste o acaso. A vida é o motivo, não o resultado. Tudo está vivo.

Nosso universo é inventado. Vivemos numa espécie de média ponderada das realidades de todos os seres vivos, ou talvez na mediana… mas é inventado, é o que fazemos dele. Nossa própria simulação, na qual ainda não decidimos se está nossa ruína ou salvação simplesmente porque ousamos não decidir, aceitando que existe o acaso e uma força maior salvadora sem nos darmos conta qual tal força é a própria média (ou mediana) em que vivemos.

Há uma melodia dissonante.

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Você está perdido!

Você não entendeu que não existe o indivíduo, não percebeu que o copo do qual bebe é criação da própria cabeça e ainda acredita que passado e futuro existem.

Não estendeu a mão para ajudar quem necessita, não desejou um bom dia aos faxineiros da empresa na qual trabalha e não entendeu a amplitude dos seus próprios pensamentos.

Não percebeu que a vida está além da noite e do dia, não percebeu que a internet é uma janela para o coração de todos humanos e não acredita que pode mudar o mundo apenas desejando que ele seja melhor.

Você não saiu de casa para tomar um suco numa noite quente, não deu risadas dos próprios erros pois nada deles aprendeu e evitou a todo custo errar novamente.

Você tem medo, muito medo, de quase tudo aquilo que não conhece como se muito bem se conhecesse.

Você está perdido!

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