DEPREdado

Confesso que foi muito difícil sair da cama agora. Minha mente parece completamente entorpecida e meu corpo evita responder aos comandos motores. Não é que eu não queira fazer alguma coisa, apenas nada quero além de ficar em silêncio no meu canto escuro enquanto simplesmente tento inexistir.

E o silêncio é um dos maiores problemas. Nunca é suficiente. Há sempre um ruído, um carro passando, um cachorro latindo, uma criança gritando, alguém tossindo. E então o celular toca… hora de profundo desespero. Não gosto de falar com as pessoas. Na verdade nem gosto de falar, julgo uma perda de tempo. Também não gosto de ouvir outras pessoas falando. Palavras são como agulhas entrando em minha garganta enquanto as ouço. Quanto mais as ouço mais calado quero ficar. No mundo há verborragia em excesso. Verborragia, eu disse.

Sobre tentar inexistir? Não… jamais me mataria. Considero a possibilidade de realmente existir vida eterna… não dá! Não quero que isso continue, quero que pare. Então a inexistência é minha distópica utopia.

Não gosto, também, de pessoas por perto. Nem precisam estar falando, basta estarem. Pessoas costumam invadir o espaço e serem inoportunas. Não suporto nem ouvir o portão do prédio batendo, pois significa que por ali passou alguém. As pessoas podiam ser mais quietas… dessas eu gosto, falam só o necessário, sem rodeios e voltam a me deixar em paz. Pessoas quietas me deixam pensar sem passarem longos minutos vomitando estupidez em cima de mim.

As pessoas também vivem acreditando que não precisam pensar. Falam e fazem muita besteira, acreditam em muita asneira e te julgam idiota se não concordar. Eu sei… pessoas são pessoas… e devo concordar com elas, afinal pensar é o que me faz ser assim. Embora pareça impossível, sou verdadeiramente feliz enquanto quase inexisto.

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