Tudo o que me importa

Tudo o que mais gosto está no feminino: pizza, muçarela, lasanha, coca-cola, mortadela e minha bela.

Tudo o que mais marca também: garra, vontade, perfeição, criatividade, força e sabedoria.

E tudo aquilo que cura, cria ou explica: medicina, eletrônica, matemática, história, geografia e engenharia.

Tudo o que torna a vida mais bela: dança, música, poesia, alegria, mudança e fantasia.

Somente o que resta ao masculino é aquilo que se faz indefinido, assim como o entendimento não é a compreensão ou o assertivo pode carecer de exatidão.

Talvez possamos entender que a paz, embora feminina, não tem sexo, pois não aceita exclusão, não escolhe um lado, mas também não existe enquanto ilusão.

Ou talvez desejemos continuar com uma estúpida guerra de sexos. Mas cuidado! Pois assim como a guerra, a vitória também está no feminino.

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Um qualquer velho sábio

Inócuo, autodesprezado. Um vazio guardado num invólucro, um cu… um cu ao quadrado. Um apanhado de tripas torcidas com um cérebro hospedado.

Inutilmente consciente, divagando reservado, com o futuro descrente, completamente amargurado. E ausente… vivendo preso num quadrado e perdido no labirinto da própria mente.

Adiante, um velho sorridente não pertence ao futuro esperado. Um velho ranzinza, quem sabe, perdido num mundo completamente amedrontado… e observavelmente inadequado… há de passar sem medo ao outro lado.

No rosto uma fúria, na língua um sarcasmo, nas pernas um peso a carregar solitário e nas mãos uma arma que mata o contente: um livro de textos cacófonos que conta uma história trazida do passado de um mundo que certa vez foi quase decente.

Esquecido pelos outros, na merda afogado, com o peito chiando e um cigarro ao seu lado, carregará dessa vida o conhecimento que pôde roubar e deixará para trás um mundo coitado.

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Repete a ira!

Já tive um blog, já tive uma história. Já fui eloquente no “mente de mente”, já fui apressado a acordar uma mente, já tive vontades, já vivi descrente. Já fui estressado, já fui erudito, já fui esculhambado e agora sou novamente.

Já observei o tempo, já vivi a derrota, já curti a vitória, já chorei descontente. Já tive o verbo ao meu lado, já tive a loucura internamente, já fiz pouco caso de muito descaso e já fiz o descaso de muito demente. Já fui o que sou e deixei de ser o que tive, vivi no passado buscando uma glória e encontrei todo aquele que sou no presente.

Já deixei minha vida e voltei novamente, quis ser outro cara, quis seguir em frente. Berrei o meu nome de frente a um espelho e vi no reflexo um louco doente.

Um torpor me enlouquece enquanto as palavras vazam de minha mente. Adiante, mais um dia perdido ou somente passado. Mas ainda há tempo de gritar “Repete a Ira” e não ser complacente.

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