Os pomposos e o mercado da espiritualidade (parte 1)

Hummm… OK! Esse é um daqueles posts cheios de maluquice, revelações e resmungos que estavam entalados na garganta. E para que ele não te machuque, segue um breve guia de leitura:

  1. se você participa desse mercado da espiritualidade, vive comprando livros sobre o assunto, paga caro por cursos diversos, recorre ao Mestre Google quando busca respostas e/ou evolução espiritual… não o leia.

Pronto! Somente isso. Tendo finalizado a leitura do guia de leitura (sei… repetição… ficou estranho), vamos agora entender alguns porquês enquanto discorro sobre o assunto proposto no título.

O primeiro motivo de uma sucessão de erros é a busca pela evolução espiritual e este inicia-se pela inapropriada adoção do termo “evolução” e o que ele sugere. Evolução está relacionada ao tempo e somente se refere a conhecimento quando se trata de metonímia, portanto pode representar ambiguidade. Partindo-se de um ponto de referência a outro qualquer, determina-se uma evolução através de uma compreensão temporal. A evolução de um quadro clínico, por exemplo, pode descrever tanto uma piora quanto uma melhora. Podemos buscar desenvolvimento ou ascensão (termo também dúbio), mas evolução apenas se relacionará a uma progressão temporal.

Note que nesse mercado da espiritualidade, curiosamente, progressão, ascensão e evolução estão intimamente relacionados. Esse relacionamento, de meu ponto de vista, somente pode estar determinado por um (ou ambos) de dois motivos: o primeiro é o fato de que pessoas com pouco desenvolvimento espiritual tendem a gostar (e sentir prazer, muito prazer) com a ideia de que estão “mais evoluídas” que as demais; o segundo é que a exploração do primeiro motivo é uma maravilha econômica.

Recentemente passei a ter contato com a Umbanda, religião nascida devido a múltiplos preconceitos dos “espiritualmente evoluídos” (portadores de elevada pomposidade) de religiões e doutrinas amplamente divulgadas e aceitas… que vendem muitos… muitos… uma infinidade de aparatos como cursos, livros, “terapias” e a ilusão da “evolução espiritual”, todos estes contendo, geralmente, muita ladainha, já que são obras de pessoas que verdadeiramente nada possuem de desenvolvimento espiritual.

Estamos tão habituados a essa “autoimposição do fodismo” que vejo internet afora, curiosamente, umbandistas enfrentando preconceitos diversos de outros umbandistas de outras linhas da Umbanda. Assim como no Cristianismo (somente tomando como exemplo devido ao fato de ser o mais difundido em nossas terras), a Umbanda se divide em diversas linhas. E, assim como no Cristianismo, há o sincretismo arquetípico… santos para uns, orixás para outros. Novamente, estamos tão habituados a essa “autoimposição do fodismo” que não percebemos que todos estamos, na verdade, referenciando os mesmos arquétipos (como o guerreiro salvador ou o curandeiro).

O segundo (e provavelmente mais grotesco) motivo de uma sucessão de erros é a crença de que existem “patamares” ou “níveis” de desenvolvimento espiritual. Se não existissem tais níveis de desenvolvimento, como é que alguém poderia se sentir mais foda que outrem que também segue o mesmo caminho?

Aqui no Ocidente é muito comum, por exemplo, encontrar um “reikiano” (é… isso já está sumariamente errado) dizendo ser nível II ou III caso não esteja no nível I. O status parece ser mais importante que a compreensão dos ensinamentos. Mas, curiosamente, os praticantes de Reiki mais desenvolvidos que tive o prazer de conhecer jamais foram “iniciados” por um “mestre”, apenas se desenvolveram… e enfrentam os preconceitos daqueles chamados iniciados. Também não se afogaram num oceano de livros sobre Reiki e muitos somente descobriram que já o praticavam quando receberam uma explicação sobre o que é.

Nossa espiritualidade é alvo de um mercado que explora nossos anseios por conhecimento fácil e por uma vida “mais leve”, mas o fato é que tanto o despertar quanto o desenvolvimento espiritual guiados pela pomposidade alheia somente nos traz mais dúvidas travestidas de certezas e uma completa incapacidade de compreensão da vida e tudo e todos que nela estão presentes. Na “espiritualidade mercantil” dizer algo como “não sei quem sou, pois sei que essa dúvida já me transformou” denota tanto ilogicidade quanto “baixo nível” de “evolução espiritual” enquanto, na raiz do autoconhecimento, é o tipo de afirmação que nos provoca a buscar o verdadeiro autodesenvolvimento.

(… a ser continuado.)

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Azul

Mas estamos no vermelho…

Vivemos um problema para o qual somos a solução, mas não percebemos a totalidade do caos que determinamos em nossas vidas. Sendo seres sociais, jamais poderemos dizer que estamos bem enquanto convivermos com pessoas espiritualmente (ou mentalmente) adoecidas e que passam por necessidades não atendidas.

Muito se discute a respeito desse “problema”, mas raramente vejo ser citado o vértice dele todo. Talvez isso aconteça devido ao fato de que as palavras não sejam suficientemente contundentes. Ou talvez seja pelo simples fato de que nem mesmo observamos nossas próprias atitudes. Para trazer esse vértice à luz de nosso conhecimento, começarei explorando algo com um vértice comum: o Feminismo.

Devo ser sincero ao explicitar minha profunda repugnância ao termo Feminismo, que denota, por construção linguística, um estado temporário, uma ideologia ou, como geralmente é entendido, um movimento, quando é, em verdade, uma consciência (no sentido de conhecimento entendido) biológica, psicológica e cívica. Queremos tanto mudar o mundo que nem mesmo nos demos o trabalho de cunhar um nome adequado para uma das maiores consciências coletivas que temos crescendo em nossa sociedade.

O Feminismo é algo que simplesmente não deveria existir. Não é resultado de uma sociedade Machista, como se comenta. Tampouco resultado de uma prévia exclusão da Mulher do mercado. Tudo o que se entende por motivos ao Feminismo é resultado do mesmo problema: uma espécie de universalização do desrespeito. O Feminismo não surgiu simplesmente porque o Homem desrespeita (em amplo sentido) a Mulher, isso é uma visão limitada. O Feminismo surgiu pelo mesmo motivo que outras consciências (como a LGBT): jogamos o respeito no lixo.

Não! Os Homens não desrespeitam as mulheres! Os Homens desrespeitam tudo e todos! As Mulheres também! Tal afirmação é tão verdadeira que podemos observar o desrespeito em quase todas as atitudes cotidianas de quase todas as pessoas. Tem gente furando fila, “cortando” a fala alheia, empurrando por ter pressa, mentindo para não trabalhar, evitando ajudar os outros para não se cansar, desprezando os sentimentos alheios, “forçando” relacionamentos com benefícios unilaterais, gritando, cuspindo, xingando, batendo e apontando dedos. A maioria das pessoas simplesmente não pára para pensar que todo esse desrespeito tem efeitos negativos nas outras pessoas, é como se o benefício adquirido/conquistado explicasse o fracasso e a dor alheia.

É até comum ouvir alguém dizendo que os outros não conseguem porque não tentam. Mas pense no seguinte: como uma pessoa escapa com vida de um pelotão de fuzilamento?

O desrespeito generalizado também está enraizado… e tem motivo. Determinamos uma dinâmica social na qual precisamos “vencer”, transformando a sociedade num jogo de soma zero (para que um ganhe, outro precisa perder). E para tal feito abandonamos quase que por completamente nossa capacidade de empatizar. A “coisa” que nos permite construir as raízes de uma sociedade é a mesma que abandonamos para podermos lutar sem observar as feridas alheias, pois estas nos fariam parar a luta para pensar.

Sobrepusemos um jogo à nossa sociedade e nos fizemos acreditar que o jogo é a sociedade. Pense em alguém bem sucedido e você imediatamente se lembrará ou imaginará uma pessoa com posses e riqueza financeira. Mas me arrisco a dizer que não existe, no intervalo mais recente da História, pessoa tão bem sucedida quanto Dalai Lama.

Já parou para pensar nos abusos que cometemos e o quanto isso machuca as pessoas ao nosso redor? Já parou para pensar que outras pessoas, iludidas com o jogo, entenderão que um dos caminhos mais eficientes para a vitória está num padrão comportamental depredatório e o seguirão?

Já parou para pensar que a base do jogo é uma sociedade que não quer jogar?

O título faz referência ao nosso planeta (nossa casa, comumente chamado de planeta azul), à crença de determinadas linhas de estudos espiritualistas que acreditam que a energia humana é predominantemente representada pela cor azul e ao fato de que o azul já foi considerado uma cor social (teoricamente visível apenas para humanos, sem presença química na Natureza).
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O expurgo do capeta

Assim como um criou Adão e Eva, do barro e da costela (até hoje não entendi bem isso… sou ogro… se alguém transformasse uma costela em algo maior na minha frente eu comia a porra toda), mais tarde um outro, sujeito ruim, daqueles asquerosos, ao contrário do primeiro, que criou, consumiu Repolho e Feijoada, enquanto curtia um samba regado a muita cerveja e caipirinha, coisa que na casa do primeiro não tem.

Deu ruim, como dizem. A massaroca de repolho, feijoada, amendoim, cerveja, refrigerante (pá suprí a glicose), batata frita, azeitona e o bolovo (bolinho de carne com um ovo cozido tuchado no meio, para quem não conhece) com molho de Bhut Jolokia (pimenta do mal, boa demais) que comeu antes disso tudo não caiu bem. O coisa ruim começou a passar mal e suar… sangue e lava vulcânica (afinal, é o tenebroso… depois da pimenta) em bicas. Suas entranhas resmungavam como uma manada de leões zumbis famintos por cabeças humanas.

Então ele correu. Foi para a casinha (ou casa do cagalho), uivou três vezes, grunhiu duas, arrotou cinco, soltou uma bufa de tremer galáxia e criou uma massa parecida com argila, mas azeda e podre, que utilizou para criar cópias corrompidas e presumivelmente nojentas dos humanos originais. Nascia, assim, da bunda do maligno, a corja que receberia a missão de se infiltrar na sociedade, se multiplicar e apodrecer tudo enquanto infecta pessoas inicialmente saudáveis para que, com o apoio dessas mentes enfraquecidas, se espalhe mais rapidamente o fedor de suas ideias e dos resultados (geralmente esterco… muito esterco) de suas ações.

Rapidamente a corja percebeu os benefícios que teria se dominasse a política e atacou, quase que eliminando por completo as mentes saudáveis dessas atribuições. Criou inúmeros instrumentos de controle sobre as populações de cada canto do mundo e distorceu a maioria dos conceitos que tínhamos sobre sociedades através da inserção de ideias tóxicas, como uma infusão de bosta seca em água quente.

Só podia dar merda. Com a nossa nova visão de mundo (uma espécie de bunda gigante girando no espaço, em homenagem a origem de nossos novos ideais), universalizamos a inhaca. Fizemos algumas guerras, inventamos a putaria, entupimos o mundo com pessoas que não nos preocupamos em educar e defumamos a atmosfera.

Mas, como somos muito espertos, sabemos que ferramos com tudo e por isso resolvemos que precisamos fugir daqui para que possamos espalhar nossas lindas ações por outros solos. Afinal, foi com muita luta que chegamos até aqui e é com muito orgulho que pretendemos mostrar ao resto do universo que somos o mais azedo e pútrido expurgo do capeta.

Talvez encontremos, no caminho, alguma outra civilização que nos acolha e permita que a infiltremos usando de nossa aparente graciosidade. Afinal, mesmo quando fedemos fezes demoníacas… fabricamos maravilhosos perfumes.

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A chama

brota na terra o que era semente
ideia aposta da vida no ventre
nasce o brilho no olhar descontente
do povo que vive
que chora
que sente

dá-se o verbo ao inimigo intente
que brada seus cantos ao ser conivente
vivendo à sombra da vida da gente
que luta
que oferta
o sangue escorrente

cai na miséria a idéia indecente
da vida regrada ao metal reluzente
que fere
que mata
e torna descrente
quem lava com lágrima o sangue da gente

sai do buraco, lá fora está quente
tem tiro, tem pedra, tem morto indigente
maduro brigando e infante sofrente
tem gente vivendo de idéia ralente

tem gente vivendo de idéia ralente
tem gente vivendo com nada na mente
tem gente esperando um futuro decente
tem gente criando uma nova corrente

tem gente demais
mas tem gente ausente

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R$1,00

Outro dia comentei com um amigo que há um tempo atrás encontrei uma nota de um real. Estava pensando nela e me lembrei que ela foi, inclusive, aceita no boteco. Daí então veio uma lembrança do início da adolescência.

Lembra da chegada do plano real? Eu lembro bem. Lembro que em casa havia uma lista de deveres semanais que, se cumpridos, garantiriam uma linda e nova nota de um real. “Se cumpridos” significa que para mim não rolava. Mas quando esse um real pingava na mão… sabe o que dava para fazer com ele? Tem noção do que um adolescente novato podia fazer com um real?

Pense comigo na indecisão que se instalava. Comprava vinte (Sim! 20!) pacotes de figurinha, cinquenta (leu certo) chicletes, três chocolates ou quatro sorvetes? Como sempre fui nerd, ainda se somava a isso a vontade de juntar para comprar disquetes e dar uma chegada numa lojinha perto do Hospital São Paulo onde O CARA, por preços realmente camaradas, fornecia a pirataria (levando os próprios disquetes era mais barato).

Para que computador iria essa pirataria? Um nervoso! Um cobiçadíssimo 80486DX4 100MHz com estonteantes 8MB de RAM e 540MB de HD, com um monitor Samsung SyncMaster 3, suficientemente poderoso para entregar uma resolução de 1024×768, alimentado pelas maravilhas resultantes de uma Cirrus Logic (não me lembro o modelo, mas lembro que era num slot VESA e tinha 1MB de RAM) capaz de entregar uma gama de 16-BIT de cores (65535, para ser mais preciso). Infelizmente, porém, não possuía o ainda mais cobiçado Kit Multimídia.

Aliás, 540MB de HD era algo sinistro. Nele tinha uma partição DOS gigante, onde estava o próprio (Caldera DR DOS 6.0) e tinha instalado o Windows 3.11 e o Slackware Linux 1.1.2 (carregado via loadlin.exe… quem lembra disso bate o pé). E como todo bom nerd, estava carregado de coisas como dBase, Clipper (com o linker da Borland e Clipper Tools ;-), Turbo Pascal, Borland C++ e GCC.

Voltando ao dinheiro. Também ficava a dúvida se era mais vantajoso gastar em pastel e caldo de cana. Aliás, ambos juntos custavam trinta e cinco centavos… TRINTA E CINCO CENTAVOS! Dava para comer três pastéis, tomar um caldo de cana grande e ainda comprar umas balas. Ou, ainda, podia ir até os arredores da Estação Ana Rosa, o que muitas vezes acontecia, para pagar ainda menos em tudo o quanto é tranqueira degustável que se imagina. Os camelôs de lá eram sempre os mais baratos… amados, portanto.

Um tempo depois dessa fase, comecei a trabalhar. Ganhava R$300,00 (trezentão, mano!) por mês, um valor que hoje parece uma piada, mas compare esse valor ao de um Escort Hobby 1.0 que custava, apenas dois anos antes, 621 (ou 631, agora não lembro corretamente) URV. Se ainda assim parece pouco, anos depois fui um estagiário bem remunerado (para os padrões da época) que ganhava R$240,00 (mais de duzentão, mano) por mês… era mais (bem mais) que um salário mínimo (R$180,00 naquela época, se não me falha e memória).

Também comecei a fumar… coisa de gente idiota, eu sei. Com um real eu podia comprar seis maços de L&M e 4 chicletes no camelô ao lado do trabalho. Lembra quando a esfiha do Habib’s custava R$0,15 (mesmo preço do cigarro do camelô)? Eu também aproveitava. Em alguns lugares, ainda, podíamos encontrar pizzas por R$2,95… as boas eram mais caras… tipo R$4,40.

Sei… parece que estou defendendo o Plano Real. Mas não estou, não quero essa briga pro meu lado. Mas, caso não tenha ficado explícito, consegue perceber que independentemente da moeda que esteja em circulação, desconsiderando as severidades financeiras que se abateu sobre cada uma delas, quem faz as cagadas somos nós mesmos?

O Plano Real foi muito além do simples corte de zeros à direita como anteriormente fazíamos. E funcionou, ao menos inicialmente. Era uma nova experiência, era arriscado, mas era muito bem planejado. Sabe aquele computador que citei lá em cima? Custou R$4.880,00… custava mais que um carro importado, mas era pagável… tinha como… e para isso não faltava comida à mesa.

Mas, então, não conseguimos suportar o sufocamento de nossa doutrina que nos impõe a adoção de ideologias e símbolos políticos para a formação de uma guerra interna pouco silenciosa. Temos o péssimo costume de idolatrar pessoas que fazem poses e vomitam frases de impacto para ganhar nossos votos e nos manipular. E essas pessoas, inclusive os próprios autores do plano, aproveitaram.

Vou finalizar de uma forma até óbvia, mas precisa ser reforçado.

Brasileiro é burro! Age como se democracia fosse uma situação e não entende que é uma ferramenta. Acredita que existe uma “elite política” que domina toda a situação mas não se toca que foi ele próprio quem colocou o infeliz no palanque. Elege chapa achando que vice não governa, elege símbolo acreditando que tem total poder sobre alguma coisa, acredita em discursos pagos e se emociona com encenações óbvias.

O Brasileiro percebe que a “classe política” está podre e se desvia da culpa dizendo “não me representa”. Ora! Vai tomar no centro do furículo! Nossos políticos são “nós”. Se entre eles quase não há quem presta é porquê quase não há quem presta para ser candidato… Matemática extremamente simples.

A cada iteração, nossa qualidade de vida segue rumo ao fundo do poço. Mas aceitar que a culpa é nossa… de todos (somos uma sociedade)… parece mais absurdo que ser condenado por estupro de menor incapaz. Não é difícil entender que:

  1. o poder não transforma a pessoa, a revela – índole não é algo simplesmente mutável e educação tem papel central na formação do indivíduo;
  2. o infeliz que está na palanque e que busca vantagens somente está lá porque um bando de brasileiro burro simpatizou com suas mentiras (afinal… a mentira é o principal vértice de uma conversa no melhor estilo brasileiro, fantasioso por natureza e ignorância) e não teve raciocínio lógico suficiente para “separar as coisas”;
  3. se, num cesto com mais de 300 laranjas somente existir meia dúzia de laranjas boas, dificilmente será selecionada uma laranja boa enquanto tentamos escolhê-las de olhos vendados e
  4. duzentas milhões de formigas são muito mais poderosas que algumas centenas de besouros… só que as formigas são espertas e organizadas.

Então pergunto: vai votar em quem? Decidiu ou escolheu?

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O egresso da caligem

Não é novidade que ao longo de muitos anos sofri, nem sempre calado, com uma depressão que lentamente desfeava minha personalidade e me tolhia atitudes quaisquer não relacionadas a composição de fragmentos textuais obscuros e confusos.

Nunca me senti suficientemente confortável com a ideia de ingestão de sujidades medicamentosas a desvanecer partes, embora pestilentas, de minha personalidade, pois trata-se de minha “caixa de ferramentas”… minha identidade. Mas, assim como toda vida finda, o mal também desvanece. E como é maravilhosa a vontade de chorar causada por uma percepção de vontade.

Sim! Vontade! A brevemente escassa e longamente minguada vontade qualquer de se fazer coisa qualquer num instante qualquer. Devo confessar que chorei ao me sentir abrindo uma janela para que o brilho de um dia ensolarado entrasse em minha fortaleza.

A escuridão agora está na memória, guardada para ser consultada sem que me embargue a razão.

Não se trata de sentir-se feliz. Trata-se de não sentir somente medo, vergonha, raiva e confusão. Trata-se de acordar e levantar da cama, de voltar a apreciar os próprios gostos, de permitir-se instantes de genuína alegria sem a sabotagem da razão adoecida. Trata-se de sentir-se plenamente humano novamente, iluminado como todos devem ser.

Quero xingar o mau agouro, esbofetear a inanição e sei que agora posso fazê-los com um sorriso estampado no rosto e uma calma que me oferta a própria vida. Quero viver novamente! O egresso da caligem é a revinda do regojizo!

E longe do entorpecimento resultante dos fármacos, poderosos e devastadores, retomo meu ser com a alegria que me faltava. Meu dia brilhou porque o fiz brilhar. O Sol retorna ao Leste.

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Uma tormenta que vem do centro de espírito, um algo impróprio e indesejável, um incauto sentimento de derrubada que assola a fraca mente e despedaça a própria alma, tornando-a mera brisa na História, um flash de uma ideia que não se concretiza como real.

Descendido a elemento quase nulo, de memórias inóspitas e aquietado pelos soluços dos sofridos que amarelamente sorriem com o amargor de suas ásperas línguas, contemplo a queda de um império outrora sustentado pelo saber, outrora com a vida condizente.

Há fogo, há ferro, há habilidade, há espada! Mas o símbolo da arma se perdeu no levante da guerra. E o saber da guerra se esvai com a execução alheia. Já não há mais quem se acomode com o pensar enquanto tendo empunhada a verdade que perfura, corta e finda o argumento.

Guerra e paz! Paz e guerra! Quando uma incomoda… atiramos nela… depois a prendemos em um mesmo sádico argumento para que sofra solitária em seu cárcere ideológico. Em seguida surge o pretensioso inequívoco dizendo que não há paz sem guerra.

Ora! Nunca houve paz! E nem, nunca, houve guerra! Apenas há o caos nessas mentes inquietas, pois a paz já nasceu como utopia e uma guerra, qualquer que seja, não se fundamenta na histeria.

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